A plataforma pública e gratuita de streaming Tela Brasil foi lançada oficialmente neste sábado (30) e estreia com 555 obras audiovisuais brasileiras no catálogo. A iniciativa é coordenada pelo Ministério da Cultura e foi desenvolvida em parceria com a Universidade Federal de Alagoas, com acesso integrado ao login do Gov.br.
Durante o lançamento na Cidade das Artes, na zona Oeste do Rio de Janeiro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva citou a Tela Brasil como uma ferramenta de soberania cultural. “[A Tela Brasil} vai contribuir para a elevação da compreensão de um país chamado Brasil. Por que nós somos assim? Por que nós fazemos assim?”
O presidente afirmou que há excesso de conteúdos estrangeiros na programação exibida no país. “A quantidade de enlatados de má qualidade que a gente é obrigado a assistir toda noite, porque não tem outra coisa para a gente ver. O que não permite que a juventude brasileira tenha acesso à plenitude da cultura brasileira”, lamentou Lula.
Investimento e acesso
Segundo o governo, o projeto recebeu investimento de R$ 9 milhões entre 2024 e 2025, destinados ao licenciamento do catálogo, ao desenvolvimento tecnológico e a ferramentas de acessibilidade. O presidente também mencionou o desconhecimento sobre a participação econômica do setor cultural e a geração de empregos. “O mais importante é a gente conhecer o nosso país por dentro, conhecer a nossa cultura, a razão das coisas que fizeram a gente chegar onde nós chegamos”, disse Lula.
Ao relacionar o lançamento a outras ações, o presidente citou o MEC Livros, com acervo de mais de 25 mil títulos. Ele também afirmou que novos conjuntos habitacionais entregues pelo governo devem incluir bibliotecas. “Todo o conjunto habitacional que a gente entregar, nesse país, vai ter uma biblioteca para que a pessoa tenha acesso à cultura.”
De acordo com a ministra da Cultura, Margareth Menezes, a criação da plataforma foi motivada pela necessidade de ampliar o acesso ao direito cultural, citando dificuldades na distribuição de obras audiovisuais. “Na questão do audiovisual, nós temos um gargalo ainda muito grande na questão da distribuição. Como fazer o povo ter acesso a tudo o que se produz, às coisas que são importantes, que referenciam o nosso país?”
Acervo e recursos de acessibilidade
Segundo o Ministério da Cultura, o acervo inaugural reúne conteúdos financiados pelo Fundo Setorial do Audiovisual (FSA) e obras preservadas por instituições do Sistema MinC, como a Cinemateca Brasileira, o Centro Técnico Audiovisual (CTAv), a Funarte e a Fundação Cultural Palmares. A plataforma reúne títulos de 1910 a 2025 e inclui categorias como infância, juventude, artes e brasilidade.
O catálogo inicial tem 555 obras, distribuídas em 267 curtas-metragens, 139 longas-metragens, 85 médias-metragens ou telefilmes e 64 obras seriadas. Entre os títulos citados estão A Hora da Estrela, de Suzana Amaral; Xica da Silva, de Cacá Diegues; Central do Brasil, de Walter Salles; e Cidade de Deus, de Fernando Meirelles.
Também aparecem Deus e o Diabo na Terra do Sol (1964), de Glauber Rocha; Carandiru (2003), de Hector Babenco; e Olga(2004), de Jayme Monjardim. O catálogo inclui 19 títulos que já representaram o Brasil na disputa pelo Oscar. Na diversidade cultural, a plataforma reúne a categoria Africanidades, com obras sobre trajetórias, memórias e experiências da população negra.
Todos os títulos selecionados via edital público têm audiodescrição, legendagem descritiva e interpretação em Língua Brasileira de Sinais (Libras). “Importante destacar que tem pesquisa no meio sobre acessibilidade. São obras com três recursos de acessibilidade, que envolvem também discussão sobre preservação e memória. Há soluções tecnológicas e soluções jurídicas sobre regulamentação. É política pública baseada em pesquisa e evidência”, disse a professora Luciana Peixoto Santa Rita, que participou do projeto pela UFAL.
Perfis de uso e parcerias
Para acessar a Tela Brasil, é necessário ter conta ativa no Gov.br. A plataforma oferece o Perfil Cidadão, para acesso individual e gratuito com lista de favoritos, e o Perfil Direcionado, voltado a exibições coletivas e sem fins comerciais em escolas, cineclubes, pontos de cultura, bibliotecas e museus.
Na primeira fase, o serviço funciona no navegador de computadores, com opção de transmissão para Smart TVs. Os aplicativos para celulares Android e iOS devem ser disponibilizados em até 30 dias. Durante o evento, foi assinado um Acordo de Cooperação Técnica (ACT) entre o Ministério da Cultura e a TV Brasil, da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), para ampliar a oferta e a circulação de conteúdos e integrar políticas públicas do audiovisual.
A Tela Brasil foi desenvolvida com tecnologia brasileira pelo Ministério da Cultura, com apoio da Universidade Federal de Alagoas.













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