A cidade de Serrita, no Sertão Central de Pernambuco, será palco, neste domingo (26), de uma das maiores manifestações de religiosidade e cultura popular do Nordeste. A partir das 8 horas, o Parque João Câncio, no Sítio Lages, zona rural do município, recebe a 56ª Missa do Vaqueiro, celebração que reúne milhares de vaqueiros, romeiros e visitantes em uma programação que combina cerimônia religiosa, aboios e apresentações de artistas consagrados da música nordestina. O evento segue até o meio-dia e acontece a cerca de 540 quilômetros do Recife.
A Missa do Vaqueiro consolidou-se ao longo das décadas como um símbolo da identidade sertaneja. Realizado desde 1970, o encontro preserva tradições ligadas ao homem do campo, reconhece a contribuição histórica dos vaqueiros para a formação do Sertão e mantém viva uma manifestação que se tornou referência para eventos semelhantes em diferentes estados do país.
A programação será aberta com a celebração eucarística presidida pelo padre Pedro Sérgio, da Paróquia de Bodocó, acompanhado por sacerdotes convidados. A iniciativa é promovida pela Fundação Padre João Câncio, em parceria com a Diocese de Salgueiro e a Paróquia Nossa Senhora da Conceição de Serrita.
Depois da celebração religiosa, a música e os aboios reforçam o caráter cultural do evento. Estão confirmadas apresentações de Flávio Leandro, Fábio Carneirinho, Daniel Gonzaga, Sarah Leandro, Coral Aboios de Serrita e Quinteto Violado. O público também acompanhará as performances dos aboiadores Chico Justino, Fernando Aboiador, Léo Aboiador e Antônio Santana.
Marca registrada da Missa do Vaqueiro, o aboio ocupa lugar central na programação. O canto tradicional utilizado pelos vaqueiros para conduzir o gado atravessou gerações e hoje é reconhecido como uma das mais importantes expressões da cultura sertaneja, reforçando a ligação entre a celebração religiosa e o modo de vida do Sertão.
A história da Missa do Vaqueiro começou a partir de uma homenagem a Raimundo Jacó, vaqueiro e primo de Luiz Gonzaga, morto no Sertão pernambucano. A iniciativa foi idealizada por Padre João Câncio, Luiz Gonzaga e o poeta Pedro Bandeira, transformando uma homenagem individual em uma celebração coletiva da memória, da fé e das tradições nordestinas.
Segundo Helena Câncio, presidente da Fundação Padre João Câncio, preservar o propósito da celebração continua sendo o maior compromisso dos organizadores. “A Missa foi criada para homenagear o vaqueiro, sua fé, sua coragem e sua importância para a formação do Sertão. Chegar à 56ª edição mantendo essa essência é uma responsabilidade e também uma grande emoção”, afirma.













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