A Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semma) de Vitória da Conquista realizou, na noite desta segunda-feira, 8 de junho, a transferência de parte das tilápias dos lagos da Praça Tancredo Neves para a Lagoa das Bateias. A ação foi adotada como medida de controle populacional, após a reprodução acelerada dos peixes no espaço.
De acordo com a Semma, a pescaria já estava programada para ocorrer assim que as condições climáticas permitissem a realização do procedimento com mais conforto e segurança para os animais e para os servidores envolvidos na operação.
A transferência ocorreu um dia após a Prefeitura emitir nota sobre a situação dos peixes nos lagos da praça, após a repercussão de imagens nas redes sociais mostrando os animais aglomerados em uma área de queda d’água. Na ocasião, a secretaria informou que a remoção controlada de exemplares seria realizada para manter o equilíbrio populacional do ambiente aquático.
Segundo a secretária municipal de Meio Ambiente, Ana Cláudia Passos, as tilápias Saint Peter foram introduzidas nos lagos da Praça Tancredo Neves pela população. Antes disso, o local era habitado apenas por carpas ornamentais. Com o passar do tempo, os peixes se proliferaram.
A secretária explicou que, todos os anos, durante a limpeza realizada pela Semma em novembro, as tilápias são transferidas para outros locais. No entanto, parte dos ovos e alevinos permanece nos lagos, o que permite o crescimento da população nos meses seguintes.
“Este ano, após a troca da ração, nós percebemos que a reprodução foi ainda mais acelerada e já tínhamos programado a pescaria para manter o controle populacional, porque o espaço estava ficando pequeno para a quantidade de peixes que vínhamos observando”, disse Ana Cláudia.
A reprodução acelerada das tilápias está relacionada às características da espécie. Esses peixes atingem a maturidade sexual cedo, entre três e cinco meses de vida, e têm ciclos reprodutivos curtos. Dependendo das condições climáticas e do manejo, podem realizar de quatro a 12 desovas por ano. Cada fêmea pode liberar de 800 a 3 mil ovos por desova.
Ao contrário das carpas, que preferem ambientes mais frios e costumam permanecer no fundo dos lagos, as tilápias são peixes de origem tropical e se adaptam melhor a águas mais quentes. Por isso, tendem a ocupar a superfície. Quando a temperatura fica abaixo de 20°C, o metabolismo delas desacelera e o apetite diminui. A espécie também costuma viver em grupo, formando cardumes, comportamento que favorece a proteção e a reprodução.
O médico veterinário Aderbal Azevedo Alves, coordenador do Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas) desde a criação do equipamento, acompanha há anos o comportamento dos peixes na Praça Tancredo Neves. Segundo ele, a água turva observada nos lagos está relacionada à formação natural de algas, causada por fatores como folhas das árvores e fezes de aves.
Ele explicou que esse aspecto não significa, necessariamente, contaminação ou falta de oxigênio. As algas realizam fotossíntese durante o dia, liberando oxigênio, e liberam gás carbônico à noite. “Os peixes podem se manter na superfície em busca de alimentos ou por conta da temperatura, nem sempre é em busca de oxigênio”, afirmou.
A Semma informou que a Praça Tancredo Neves é monitorada diariamente por um servidor que atua no local, responsável pelo cuidado dos animais e das plantas, além do acompanhamento de técnicos da secretaria. O processo de pescaria é programado previamente e só pode ser realizado à noite, em temperaturas favoráveis, para evitar danos aos peixes.
Nesta segunda-feira, uma equipe técnica da Semma avaliou as condições dos lagos e constatou que os parâmetros da água permanecem dentro da normalidade para a manutenção da vida aquática.
“Embora já tivéssemos programado essa ação para o final de semana, a prefeita solicitou a antecipação da transferência para garantir o bem-estar dos animais. E atendemos ao pedido dela, mas reforçamos que não há problema nos lagos”, afirmou Ana Cláudia.
A secretária também explicou que a água dos lagos é constantemente renovada e oxigenada. O sistema utiliza água proveniente do Poço Escuro, que circula pelos córregos e cascatas da praça antes de seguir para reservatórios subterrâneos. Essa movimentação contribui para a oxigenação e para a manutenção da qualidade da água.
O tom esverdeado observado em alguns pontos é atribuído à presença de plantas aquáticas e à clorofila produzida por elas. De acordo com a Semma, a situação é considerada natural e diferente da eutrofização, processo caracterizado pelo excesso de nutrientes e pela proliferação descontrolada de algas prejudiciais ao ambiente aquático. Ainda assim, a Prefeitura pretende realizar melhorias nas cascatas para ampliar a oxigenação da água.
A secretaria voltou a orientar a população a não alimentar os peixes. Segundo a Prefeitura, visitantes costumam jogar pipoca, pão e outros alimentos nos lagos, prática que pode prejudicar os animais e a qualidade da água. A Semma informou que os peixes recebem diariamente ração adequada, fornecida pela equipe responsável pelo manejo do espaço.
“Peixe não come qualquer coisa. Ele precisa de uma alimentação adequada para a espécie. Quando oferecemos alimentos que contêm excesso de gordura, sal ou outros componentes inadequados, isso pode prejudicar a saúde dos animais”, ressaltou Aderbal Azevedo.
Outra recomendação é para que moradores e visitantes não introduzam novas espécies de animais nos lagos da Praça Tancredo Neves. O local é monitorado por equipes técnicas, e o manejo da fauna é feito por profissionais da área ambiental, incluindo veterinários e biólogos.
A colaboração da população é considerada fundamental para a preservação dos lagos e para o bem-estar dos animais que vivem no espaço, um dos pontos públicos mais conhecidos de Vitória da Conquista.













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