O papa Leão XIV tem feito um discurso consistente pela paz, seguindo a tradição da Igreja Católica estabelecida especialmente após a Segunda Guerra Mundial, conforme explicou o especialista em Vaticano Raylson Araújo em entrevista ao CNN Prime Time. Esta postura do pontífice gerou críticas recentes de Donald Trump.
De acordo com Araújo, a postura pacifista da Igreja Católica se fortaleceu principalmente a partir da década de 60, durante o período da Guerra Fria. “A igreja passou a adotar o discurso de paz por uma questão óbvia, até porque quando se lembra na teologia o conceito de guerra justa, um conceito que foi elaborado por santos como Santo Agostinho, que é esse inspirador espiritual da ordem do Papa Leão XIV, ou São Tomás de Aquino, com o surgimento do armamento nuclear, esse conceito de guerra justa começa a ser revisitado”, explicou o especialista.
O especialista destacou que o atual pontífice não está afrontando especificamente o governo dos Estados Unidos, mas fazendo um apelo amplo a todas as lideranças mundiais. “O papa Leão XIV, vale recordar, não só pediu paz no Irã, mas em todo o Oriente Médio, citou o Sudão, citou a Nigéria e tantos outros conflitos”, afirmou Araújo, ressaltando que essa abordagem segue a mesma linha de seus antecessores como Francisco, Bento XVI e João Paulo II.
Tradição de paz da Igreja Católica
Raylson Araújo enfatizou que o discurso pela paz faz parte da missão essencial da Igreja Católica, que tem “como grande testemunho a dar, zelar pela paz, uma vez que essa é uma mensagem de Jesus de Nazaré”. Segundo o especialista, essa postura não é exclusiva de Leão XIV, mas uma continuidade de posicionamentos firmes que outros papas também assumiram em momentos críticos.
“João Paulo II se posicionou de maneira muito firme contra a guerra ao Iraque. Francisco se posicionou de maneira muito firme, por exemplo, quando existia aquele discurso de levantar muros ali na primeira eleição de Trump nas eleições de 2016”, exemplificou o especialista, indicando que o atual pontífice mantém essa tradição ao pedir pela paz em diversas regiões de conflito ao redor do mundo.
Questionado sobre a recente imagem compartilhada por Trump, na qual aparecia vestido com túnicas semelhantes às de Jesus Cristo, Araújo comentou que a repercussão não foi positiva entre os católicos, tanto que a publicação foi posteriormente apagada. “Não caiu bem, tanto que o próprio Donald Trump apagou depois”, afirmou o especialista, acrescentando que o uso dessa imagem “atinge uma sensibilidade espiritual, devocional muito mais forte” entre os fiéis.















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