O complexo industrial da BYD em Camaçari, na Região Metropolitana de Salvador, iniciou uma nova etapa no processo de nacionalização da produção de veículos eletrificados. Na última quinta-feira, 4 de junho, o Centro de Qualidade da fábrica realizou a inspeção das peças do Cross Car Beam (CCB), estrutura instalada atrás do painel dos automóveis.
O procedimento funciona como uma auditoria interna para validar o processo produtivo da peça. O CCB é responsável por apoiar a fixação de componentes como coluna de direção, pedal do freio, airbag, painel de instrumentos e sistemas de climatização.
Até então, as estruturas do CCB eram importadas já montadas. Com a nova operação, os componentes passam a chegar desmontados ao Brasil e são soldados, montados e calibrados diretamente na fábrica de Camaçari, com uso de robôs e ferramentas automatizadas.
Após a validação do processo produtivo, as peças serão encaminhadas para a Fábrica de Montagem Final. Segundo a empresa, a mudança amplia o índice de nacionalização da produção local e integra a estratégia de, futuramente, ter parte desses componentes fornecida por empresas brasileiras.
De acordo com o vice-presidente sênior da BYD Brasil e head comercial e de marketing da BYD Auto do Brasil, Alexandre Baldy, a companhia pretende atingir 50% de nacionalização das peças e componentes dos veículos até o fim do ano.
“A consolidação da BYD na Bahia vai muito além do discurso institucional, ela está respaldada por metas contratuais e investimentos robustos em infraestrutura. Vamos atingir o índice de 50% de nacionalização das peças e componentes dos nossos veículos até o fim do ano. A BYD está criando uma verdadeira cadeia tecnológica e de suprimentos no Brasil, isso garante a sustentabilidade econômica do projeto a longo prazo, gerando inteligência industrial e riqueza que ficam no estado”, afirmou Baldy.
Linha de produção recebeu robôs e equipamentos industriais
A implantação da linha de produção do CCB foi viabilizada após a chegada de um lote de equipamentos industriais pesados ao Brasil, em dezembro de 2025. Com esses itens, a empresa iniciou as etapas de layout industrial, integração mecânica e elétrica e testes iniciais de produção.
Entre os equipamentos utilizados estão robôs de solda de alta precisão, painéis de controle, sistemas PLC, equipamentos de alinhamento e calibragem, dispositivos de fixação, cabines de solda, estruturas de suporte, componentes eletrônicos e modulares da estação de trabalho, além de equipamentos auxiliares de inspeção e segurança.
Segundo a BYD, esses equipamentos são responsáveis por garantir qualidade, repetibilidade e eficiência no processo produtivo. As tecnologias de soldagem aplicadas na linha ampliam o grau de automação da fábrica.
O diretor-geral do complexo industrial da BYD em Camaçari, Adams Chen, afirmou que a unidade se prepara para fornecer componentes produzidos no Brasil à montagem final dos veículos.
“Estamos nos preparando para fornecer para a montagem final dos veículos componentes produzidos no Brasil, com a precisão e a qualidade de padrão internacional que são requeridas pela BYD”, disse.
Complexo em Camaçari
A fábrica da BYD em Camaçari ocupa uma área de 4,65 milhões de metros quadrados, equivalente a 645 campos de futebol. Segundo a empresa, este é o maior complexo industrial da companhia fora da China.
A capacidade inicial de produção é de 150 mil veículos por ano, com meta de chegar a até 600 mil veículos anuais quando o projeto estiver completo. Atualmente, são produzidos na unidade três modelos da marca: o compacto BYD Dolphin Mini, o sedã BYD King e o SUV BYD Song Pro.
O investimento no complexo industrial soma R$ 5,5 bilhões. A expectativa informada pela empresa é de geração de 20 mil empregos diretos e indiretos.
A BYD atua há mais de dez anos no Brasil e é uma das principais fabricantes globais de veículos elétricos e híbridos plug-in. Além da unidade de Camaçari, a empresa mantém fábricas de módulos fotovoltaicos e chassis de ônibus elétricos em Campinas (SP) e de baterias em Manaus (AM).
A companhia também atua em sistemas de armazenamento de energia e em soluções de transporte sobre trilhos. Em São Paulo, é responsável pelo desenvolvimento do monotrilho da Linha 17–Ouro do Metrô.
Segundo a empresa, em 2025, a BYD ultrapassou a marca de 207 mil veículos em circulação no Brasil.













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