Região

Sánchez, candidato da esquerda, passa à frente de Keiko Fujimori em pleito disputado voto a voto no Peru

0


Com quase 94% dos votos do segundo turno da eleição presidencial peruana contabilizados, o candidato de esquerda, Roberto Sánchez, apresenta ligeira vantagem sobre a representante da direita, Keikjo Fujimori. Na tarde desta segunda-feira (8) Sánchez tinha 50,012% dos votos, contra 49,988% de Fujimori, diferença de 4.385 votos.

Especialistas apontam que a vantagem de Sánchez pode crescer ao serem computados os votos restantes, vindos de áreas rurais, onde o candidato da esquerda costuma ter melhor desempenho do que a filha do ex-ditador Alberto Fujimori.

Para declarar um vencedor, também será necessário que o órgão eleitoral peruano revise atas impugnadas que contêm quase 400 mil votos, um processo que pode demorar muitos dias. Keiko Fujimori pronunciou-se após a divulgação dos primeiros resultados, que deram a Roberto Sánchez uma ligeira vantagem no segundo turno.

“Qualquer que seja o resultado, nós o reconheceremos e instamos nosso adversário a fazer o mesmo. Ele já indicou que respeitará o resultado oficial, que será divulgado após a apuração de 100% dos votos”, disse ela.

A candidata afirmou que ainda não é possível determinar um vencedor da eleição e pediu a seus apoiadores que “não percam a esperança” e aguardem os resultados oficiais. Em sua quarta tentativa de chegar à presidência, ela enfrenta o herdeiro político do ex-mandatário Pedro Castillo, preso pela tentativa fracassada de autogolpe de Estado de 2022.

Milhares de simpatizantes se reuniram em dois pontos da capital peruana no domingo para comemorar antecipadamente os resultados de seus candidatos.

“Estamos em um empate técnico; até o momento não há nenhum vencedor. Serão dias longos”, afirmou Fujimori, diante de seus apoiadores, a quem pediu paciência.

Sánchez também citou um “empate”. “Que a contagem prossiga dentro dos padrões de uma eleição transparente”, declarou em uma praça lotada de apoiadores.

Muitos eleitores afirmaram esperar que as eleições acabem com a criminalidade que assola o país e com a turbulência política da última década: o Peru teve oito presidentes desde 2016.

Expectativa

Fujimori, uma administradora de 51 anos, apela ao legado ambivalente do pai, que estabilizou a economia, derrotou a insurgência, mas foi acusado de crimes contra a humanidade.

“Estou feliz porque sei que ela vai fazer um bom governo. Por quê? Porque ela quer limpar a imagem do pai”, afirmou à AFP Gladys Silva, dona de casa de 56 anos, durante o evento do partido de Fujimori em Lima.

Sánchez, congressista e ex-ministro de 57 anos, reivindica o legado camponês de Castillo. Como demonstração de lealdade, usa o chapéu camponês que ganhou dele, prometeu indultar o ex-presidente e o visitou na prisão no domingo.

“Queremos mudança porque estamos cansados da corrupção, do fujimorismo que administra o país como se fosse sua chácara”, disse Marlene Veramendi, de 46 anos.

A votação, para a qual foram convocados 27 milhões de eleitores, aconteceu sem incidentes, ao contrário do caótico primeiro turno de abril.

Projetos de esquerda e de direita

Keiko Fujimori prometeu prosperidade e advertiu sobre o perigo do “comunismo”. Já Sánchez moderou seu discurso de “mudança radical” do primeiro turno, se distanciou dos ultranacionalistas e disse à AFP que quer ter uma relação “respeitosa” com Washington. Ele acusa Fujimori de integrar a “ditadura” do Congresso poderoso que derruba presidentes, onde ela é influente.

Sem afetar o segundo turno, um juiz mandou Sánchez a julgamento por supostas anomalias financeiras em seu partido. Se for eleito presidente, ele terá imunidade, mas ficará vulnerável diante de um Parlamento inclinado à direita.

“O eleito terá metade do país contra si e uma legitimidade frágil, razão pela qual, sem maioria legislativa, deverá construir uma coalizão para governar”, disse à AFP o cientista político Paulo Vilca.

O vencedor substituirá, a partir de 28 de julho, o presidente interino José María Balcázar.

Apesar da desilusão política, a maior preocupação dos peruanos é a insegurança em um país onde abundam as quadrilhas criminosas e as denúncias de extorsão aumentaram nove vezes em cinco anos.

Para enfrentar a violência, Fujimori sugere a linha-dura: militarizar as prisões e as zonas de conflito, e expulsar migrantes para acabar com a “criminalidade” com a “mesma força”, segundo ela, com que seu pai venceu a insurgência nos anos 1990.

Sánchez propõe enfrentar a corrupção na polícia e na justiça, diante do que denuncia ser uma cumplicidade das elites políticas com os criminosos. Sua base social está na zona rural empobrecida, onde a insegurança é menor. A base de Fujimori fica em Lima, onde a taxa de homicídios triplicou entre 2020 e 2025, chegando a 23 por 100.000 habitantes.

O vencedor das eleições governará um Peru economicamente estável, com crescimento do PIB de 3,4%. Mas sete em cada dez trabalhadores estão na informalidade.

Fujimori defende propostas neoliberais, o respeito à propriedade privada e a atração de investimentos americanos. Sánchez prometeu aumentos salariais e tentou tranquilizar os investidores, ao dizer que vai manter a abertura econômica e a independência do estratégico banco central.





Com Informações: Brasil de Fato

Deixe um comentário

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Artigos relacionados

Cidade de Malhada registra temperaturas de até 12°C durante a madrugada

Temperatura nesta manhã de domingo MALHADA – A cidade de Malhada, no...

Urgente na região de Conquista: 3 mortes agora

Manhã de segunda-feira, 8, de muita movimentação no Departamento de Polícia Técnica...

Terceiro setor pressiona Câmara dos Deputados por manutenção de recursos da Lei de Incentivo ao Esporte

Organizações do terceiro setor, atletas e entidades esportivas intensificaram a mobilização em...

‘Do ponto de vista neorreacionário, manifesto da Palantir anuncia um futuro distópico‘, diz Letícia Cesarino

O manifesto publicado recentemente da Palantir, empresa de análise de dados do Vale do...