A Usina Hidrelétrica de Três Marias, em Minas Gerais, alcançou 99,3% do volume útil na atualização da noite desta terça-feira, 24 de março, e a Cemig informou que, por enquanto, não há necessidade de liberar água pelas comportas para o Rio São Francisco.
O reenchimento do reservatório ocorre após um período de chuvas acima da média entre janeiro e março e recoloca o lago em patamar próximo do nível máximo, situação que não era registrada desde 2020.
Na atualização mais recente disponível no portal da companhia, Três Marias operava com nível de 572,40 metros, afluência de 1.515,77 metros cúbicos por segundo e defluência de 788,13 metros cúbicos por segundo. Em comunicado divulgado pela estatal, a empresa explicou que o “nível máximo normal” do reservatório é a cota 572,50 metros, equivalente a 100% do volume útil, mas que o limite operacional permitido chega à cota 573,40 metros, chamada de “máximo maximorum”, correspondente a 106,5%.
Segundo a Cemig, a proximidade do fim da estação chuvosa e a tendência de redução das vazões que chegam à usina permitem a operação do reservatório em níveis mais altos, sem necessidade imediata de vertimento. A companhia afirmou que, caso haja mudança nas previsões e surja perspectiva de abertura das comportas, a população e os órgãos públicos serão avisados com antecedência.
O reenchimento de Três Marias é considerado estratégico para a segurança hídrica do alto e médio São Francisco durante o período seco, com reflexos sobre abastecimento humano, irrigação, dessedentação animal, navegação e outras atividades econômicas ao longo da bacia.
Moradores das cidades ribeirinhas podem acompanhar avisos e os dados sobre as hidroelétricas no aplicativo PROX.
Situação do Rio São Francisco entre Três Marias e Sobradinho
No trecho entre Três Marias e Sobradinho, o boletim hidrológico do Serviço Geológico do Brasil (SGB), atualizado às 11h desta terça-feira, mostra níveis elevados em parte do médio São Francisco. Em São Francisco, no norte de Minas, o rio estava em 675 centímetros, acima da cota de alerta de 640 centímetros, mas com tendência de queda gradual ao longo do dia. Em Pedras de Maria da Cruz, em Januária, o nível era de 662 centímetros, com previsão de estabilidade em torno de 663 centímetros até a manhã de quarta-feira, 25 de março.
Na Bahia, a situação continua mais sensível em alguns municípios. Em Carinhanha, o rio marcava 534 centímetros, acima da cota de inundação de 500 centímetros, com previsão de se manter estável em torno de 535 centímetros até o início da tarde desta quarta-feira. Em Bom Jesus da Lapa, o nível chegou a 685 centímetros, acima da cota de inundação de 625 centímetros, com tendência de subir lentamente nas próximas horas e depois se manter próximo de 687 centímetros até o fim da tarde de quarta.
Em outros pontos monitorados do rio, os níveis permaneciam abaixo das cotas de alerta, caso de Pirapora, São Romão, Manga, Morpará, Ibotirama e Barra. Nesses trechos, o SGB indicou que não havia probabilidade significativa de inundação nas próximas horas.
Sobradinho também segue em alta
Mais abaixo, no submédio São Francisco, o reservatório de Sobradinho, na Bahia, também continua em recuperação. De acordo com os dados mais recentes, o lago chegou à faixa de 85% do volume útil, com afluência em torno de 3,2 mil metros cúbicos por segundo e defluência de 1,13 mil metros cúbicos por segundo. O quadro indica continuidade da elevação do nível do reservatório, outro ponto central para a regulação do rio no período seco.
Com Três Marias praticamente cheio e Sobradinho em trajetória de alta, o sistema hídrico do São Francisco entra na reta final de março em situação mais confortável do que a observada em anos recentes. Ainda assim, o cenário segue exigindo monitoramento em cidades ribeirinhas do médio curso, especialmente onde o rio permanece acima das cotas de alerta ou de inundação.















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