Últimas notícias

STF tem cinco votos para manter proibidos posts de juízes sobre política

24


Na primeira sessão plenária do ano nesta quarta-feira (4), o STF (Supremo Tribunal Federal) formou cinco votos para manter as regras do CNJ (Conselho Nacional de Justiça) que disciplinam o uso de redes sociais por magistrados.

O caso chegou a ser analisado no plenário virtual em 2022, mas foi interrompido após pedido de destaque do ministro Kassio Nunes Marques. Agora, a análise foi reiniciada no plenário físico.

Trata-se de duas ações que questiona a constitucionalidade da resolução do CNJ, que impõe restrições como a proibição do uso de símbolos institucionais em perfis pessoais de juízes e estabelece limites para manifestações públicas. Os autores do processo argumentam que a norma viola direitos fundamentais e cria hipóteses de sanções disciplinares que só poderiam ser previstas por lei complementar de iniciativa do próprio Supremo.

Relator das ações, o ministro Alexandre de Moraes foi o primeiro a votar e defendeu a manutenção da norma. Segundo ele, a resolução não cria regras inéditas, mas atualiza normas já existentes para o cenário das redes sociais e contribui para a segurança jurídica.

Moraes afirmou que as restrições são legítimas, especialmente ao vedar manifestações político-partidárias e o uso do cargo para influenciar eleições. Ele citou casos em que juízes teriam “embarcado em discursos de ódio” e defendido candidatos específicos nas redes sociais.

Na sequência, Nunes Marques acompanhou o relator, mas propôs uma ressalva para que a resolução não se aplique a manifestações em contextos íntimos, como grupos de família ou de amigos no WhatsApp. A sugestão foi aceita por Moraes. Os ministros André Mendonça e Cristiano Zanin também votaram pela constitucionalidade da norma, concordando com a ressalva apresentada por Nunes Marques.

O próximo a votar seria o ministro Luiz Fux, que está doente e não pôde participar da sessão. Com isso, o julgamento foi suspenso e será retomado em outra data a ser marcada pelo presidente da Corte, Edson Fachin.

O quinto voto favorável é o da ministra aposentada Rosa Weber, registrado ainda em 2022 no plenário virtual. Pelas regras do STF, o voto é mantido mesmo após sua aposentadoria, e o ministro Flávio Dino, que assumiu a vaga, não participa da votação atual. Além de Fux, portanto, ainda faltam se manifestar Cármen Lúcia, Edson Fachin, Gilmar Mendes e Dias Toffoli.

No julgamento virtual anterior, Fachin e Toffoli haviam acompanhado o relator, mas, como a votação foi reiniciada, precisarão se manifestar novamente e poderão alterar suas posições. Nesta quarta-feira, Toffoli já indicou que tende a manter o entendimento favorável à resolução, afirmando que magistrados possuem restrições específicas na carreira e não têm liberdade para manifestações político-eleitorais públicas.

Código de Ética

Por ser uma regra criada pelo CNJ, a resolução não á válida para regular a atuação dos ministros do Supremo, instituição que está acima do Conselho.

A primeira pauta do ano no plenário, definida pelo presidente Edson Fachin, foi analisada em meio a discussões sobre a criação de um código de ética específico aos ministros da Corte.

Na segunda-feira (2), Fachin anunciou a ministra Cármen Lúcia como relatora do texto, que ainda está em construção. Mais tarde, a ministra, que é presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), anunciou uma carta de recomendação para guiar a conduta de juízes eleitorais em 2026. A iniciativa foi vista como uma prévia do que pode ser o código de ética no Supremo.

A carta elenca dez pontos que envolvem a publicidade de agendas e audiências, a moderação em manifestações públicas sobre temas eleitorais, a vedação de demonstrações de preferência política e a proibição do recebimento de presentes que possam comprometer a imparcialidade.



Fonte: CNN Brasil, todos os direitos reservados

Deixe um comentário

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Artigos relacionados

Master e Ueno são ‘grupos privados que usam estrutura política para lucrar em cima do país’, diz analista internacional

A renúncia do presidente do Paraguai, Santiago Peña, nesta quinta-feira (5), em...

Relembre como foi a estreia de Bortoleto diante da torcida brasileira na F1

Gabriel Bortoleto estreou na Fórmula 1 em 2025 e teve um primeiro...

‘Refém da taxa de juros’: para economista, mercado cobra austeridade mas lucra com a dívida

Pressionado por setores do mercado financeiro, o governo Lula pode anunciar algum...

Fachin mantém prisão de cunhado de Vorcaro

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, negou nesta...