Região

Sete premiês em 10 anos: qual a relação da instabilidade do Reino Unido com o Brexit?

14


Dez anos após o referendo que decidiu a saída do Reino Unido da União Europeia, o país enfrenta estagnação econômica, crise habitacional e uma política externa cada vez mais dependente de Washington. Nesse cenário, Andy Burnham tomou posse, na última segunda-feira (20), como novo primeiro-ministro do país. É o sétimo premiê desde 2016, quando os britânicos escolheram em referendo deixar a União Europeia.

Ao BdF Entrevista, Sara Vivacqua, advogada que trabalhou para o governo britânico, inclusive na redação da legislação do Brexit, disse que o processo nunca foi sobre soberania popular, mas sim um projeto de um “seguimento da própria elite”. Para ela, o Brexit não é uma revolta contra o sistema, mas uma ferramenta para aprofundar políticas de mercado sem as amarras regulatórias europeias.

“O Brexit é algo maior, é a manifestação de uma guinada neoliberal e da cooptação da máquina pública. Ele nunca foi uma revolta popular contra as elites. E aconteceu de uma forma muito particular, apoiada nas políticas de austeridade, na descredibilização do Estado, no racismo e na xenofobia, que são muito bem-vindo nos momentos em que o neoliberalismo mostra sua faceta mais verdadeira para a população”, afirma.

Vivacqua afirma que o Brexit, considerando o quadro explicitado, foi um sucesso. E que traz instabilidade justamente porque tira o sistema de pesos e contrapesos. “A União Europeia é liberal, mas não tanto quanto a elite britânica. Você teve um momento de passar a boiada de grande desestabilização dos direitos civis, de desacoplamento com o que foi o legado mais vanguardista e mais progressista da União Europeia”, pontua.

Segundo a analista, o objetivo central era concluir o trabalho iniciado por Margaret Thatcher, escapando de proteções trabalhistas e ambientais. O resultado visível é a queda na qualidade de vida. “O servidor público teve uma defasagem salarial nos últimos 10 anos de 60%. A sociedade britânica viu uma explosão de moradores de rua, uma explosão de desemprego e uma precarização de quem tem emprego”, continua.

Sara Vivacqua pontua que a propaganda do Brexit pegou entre a população porque falava em soberania, mas não entregou o que prometia. “Essa é a grande ironia do Brexit, porque eles prometiam, falsamente, uma independência, mas resultou em uma subordinação muito maior a Washington e ao capital financeiro”, afirma.

Confira a entrevista completa:

Para ouvir e assistir

O BdF Entrevista vai ao ar de segunda a sexta-feira, sempre às 16h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo.





Com Informações: Brasil de Fato

Deixe um comentário

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Artigos relacionados

Operação Vai e Vota garante direito ao transporte e registra mais de 46 mil passagens emitidas na Bahia

A Operação Vai e Vota, realizada pelo Governo do Estado, por meio...

Conquista: Apoiadores fazem carreata em campanha a Lula

Sábado, 24, véspera da eleição do segundo turno e último dia de...

Comitiva baiana viaja a china para cocriação de oportunidades para engenharia civil

Foto: Divulgação – Luiz Edmundo Souza, diretor executivo da E2 Engenharia  ...

Conquista: Polícia é acionada em supermercado ‘famoso’ no Bairro Candeias

O clima esquentou em um conhecido supermercado atacadista de Vitória da Conquista...