A Coalizão Negra por Direitos lançou, nesta quarta-feira (29), em São Paulo, a iniciativa Quilombo nos Parlamentos, que reúne mais de 150 candidaturas ligadas aos movimentos negros.
“Esse evento é um recado ao Brasil: respeitem a formulação e o projeto do movimento negro para o nosso país. Aqui estão lideranças negras de todo o país que têm condições de ocupar o parlamento e representar a maioria da população brasileira”, afirmou Douglas Belchior, fundador da Uneafro e um dos articuladores da iniciativa.
O Quilombo nos Parlamentos é uma iniciativa suprapartidária, que não está circunscrita às legendas de esquerda e que alcança diversos estados do país.
Em sua primeira edição, nas eleições de 2022, a Iniciativa Quilombo nos Parlamentos apoiou mais de 100 candidaturas ligadas ao movimento negro, que reuniram 4 milhões de votos. Naquele pleito, 26 lideranças negras foram eleitas para o Congresso Nacional e assembleias legislativas nos estados.
A ex-ministra Marina Silva (Rede), candidata ao Senado em São Paulo, considera que a iniciativa é muito positiva e o caminho para acabar com a baixa representação da população negra nos parlamentos.
“Nós teremos muitos ganhos aquilombando os parlamentos. Pode ter certeza, se os problemas desse país forem resolvidos para o povo preto, estarão resolvidos para a população brasileira. Nós somos mais da metade da população, no entanto, estamos sub-representados no Congresso. Temos que sair daqui com esse compromisso eleitoral e de agenda comum, como o combate ao racismo ambiental”, afirmou Marina.
Candidato ao governo de São Paulo, o ex-ministro Fernando Haddad (PT) exaltou a importância desse movimento para corrigir desigualdades históricas.
“Eu sou um entusiasta dessa iniciativa da Coalizão. Quem conhece o Brasil e olha para o Congresso Nacional sabe que tem alguma coisa fora do lugar. E é o número de pessoas negras representadas no Congresso Nacional. É uma coisa inadmissível em qualquer instância. Nós corrigimos parte dessas distorções na educação, por meio do movimento negro, movimento estudantil e do movimento social. E temos que agora, pelo voto, corrigir essa distorção no Congresso Nacional”, disse Haddad.
A Coalizão Negra por Direitos também apresentou o manifesto da iniciativa para as eleições deste ano, em que relaciona uma série de recomendações aos partidos, poder judiciário e sociedade civil, dentre as quais: adotar sanções internas e comunicar à Justiça Eleitoral casos de fraude às ações afirmativas e uso irregular de recursos públicos, bem como fiscalizar o conteúdo das campanhas para impedir o uso de recursos públicos na promoção de violência política, discurso de ódio, racismo religioso, homotransfobia e outras formas de discriminação.
Pedem ainda que esses grupos atuem pelo efetivo funcionamento da legislação de enfrentamento à violência política, racial e de gênero, bem como que se garanta o repasse dos recursos destinados às candidaturas femininas e negras e sua efetiva utilização. Também pedem que sejam implementadas Comissões Permanentes de Heteroidentificação na Justiça Eleitoral Regional, para evitar fraudes às cotas raciais nas campanhas, entre outras coisas.
A Coalizão Negra por Direitos reúne mais de 300 organizações, grupos e coletivos do movimento negro brasileiro para promover ações conjuntas de incidência política nacional e internacional. As entidades definem estratégias para intensificar o diálogo com o Congresso Nacional e com instituições como a Organização das Nações Unidas (ONU) e a Organização dos Estados Americanos (OEA) sobre a pauta racial, além de fortalecer ações nos estados e municípios brasileiros nesse sentido.












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