Região

‘Braço de Trump’: especialistas analisam a estratégia por trás dos ataques de Milei no Brasil

0


A crise diplomática sem precedentes entre Brasil e Argentina demonstra como a extrema direita tem se articulado na América Latina, sob as ordens do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Durante uma viagem para participar do lançamento da candidatura do senador Flávio Bolsonaro à presidência, Javier Milei chamou o ministro Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), de “lixo careca” e falou uma série de mentiras sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O historiador Valério Arcary, analista geopolítico do Brasil de Fato, avalia que Milei é uma das figuras mais proeminentes do que define como neofascismo. “A essência da presença dele em São Paulo é sinalizar que ele quer ser o braço direito do Trump na América Latina. Ele trabalha como um tribuno, instrumentaliza a sua posição de presidente da Argentina para incidir no processo eleitoral e na disputa entre Flávio Bolsonaro e a reeleição do presidente Lula. Este é o sentido”, afirma em participação no podcast de política internacional O Estrangeiro.

Arcary destaca que, assim como outras figuras, Milei emergiu na América Latina para representar a extrema direita. Tal como Abelardo de La Espriella, Keiko Fujimori, Bukele e Daniel Noboa, tenta disputar a preferência de Trump.

“Ele é um braço político de um movimento internacional. Dentro desse movimento, há muitas lideranças, inclusive na América Latina. Milei está disputando esse lugar de ser o representante número um. Ele quer ser o zagueiro. A segunda nota é a estética da extrema direita e, em particular, do Milei, que tem um estilo histriônico, estridente, eu diria, provocador. Alguns já o denunciaram como palhaço de circo e há um grau de verdade nesse espetáculo de xingamentos, agressões. É completamente grotesco e agressivo”, define.

Correspondente do Brasil de Fatoem Cuba, o jornalista Gabriel Vera Lopes destaca que não é a primeira vez que Javier Milei trata com desrespeito chefes de Estado. A novidade foi dirigir o ataque a um importante parceiro comercial da Argentina. Por isso, as atitudes do líder argentino têm tido repercussão negativa no país, inclusive entre os eleitores de Milei.

“Todas as pesquisas falam que eles são contrários a este tipo de fala do Milei, não só contra um chefe de Estado, mas também com este tipo de agressividade. Tem um setor muito à direita que é bem parecido com o que acontece no Brasil, que são 30% dos eleitores do Milei que acham que isto é uma boa ideia porque é batalha cultural, é a forma de lutar contra a esquerda. Mas a sociedade argentina em geral, inclusive setores que votam em Milei, não apreciam a ideia, até porque se preocupam com os efeitos que isso tem“, conta.

Valério Arcary avalia que a intervenção de Milei não é apenas na convenção do PL, mas na eleição brasileira. “Ele está informando que o ungido pelo pai, o ungido pelo capitão, é reconhecido também por Trump e por ele como única candidatura de oposição possível”, resume.

Confira o episódio completo abaixo:

Para ouvir e assistir

O podcast O Estrangeiro vai ao ar semanalmente às quartas-feiras às 15h, disponível nos canais do Brasil de Fato.





Com Informações: Brasil de Fato

Deixe um comentário

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Artigos relacionados

Leilão de energia privilegia fósseis e desrespeita compromissos da COP30, alertam especialistas

O Leilão de Reserva de Capacidade de Energia Elétrica (LRCap) ignorou as...

Urgente na região de Conquista: Fim da ‘novela’

Após dias de angústia, mobilização e intensa corrente de solidariedade, a adolescente...

Ministro cubano denuncia que EUA impedem a chegada de mais de 7 mil contêineres de mantimentos à ilha

O vice-Primeiro-Ministro e ministro de Comércio Exterior de Cuba, Oscar Pérez-Oliva, afirmou,...

Vento chega a 125 km/h e provoca ao menos duas mortes em São Paulo

Os fortes ventos que atingiram nesta quarta-feira (29) o estado de São...