O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) divulgou nesta sexta-feira, 24 de abril, informações sobre o aumento da probabilidade de formação do fenômeno El Niño ao longo de 2026. As projeções mais recentes indicam que a fase de La Niña chegou ao fim e que o Pacífico equatorial central está em condição de neutralidade climática.
De acordo com o órgão, as previsões do Centro de Previsão Climática (CPC), ligado à Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), emitidas em 20 de abril, apontam 80% de chance de manutenção da neutralidade até o fim do primeiro semestre. A partir do trimestre maio, junho e julho, a probabilidade de formação do El Niño supera 60%.
Para o trimestre junho, julho e agosto, a chance de estabelecimento do fenômeno chega a 79%. No trimestre julho, agosto e setembro, a probabilidade sobe para mais de 80%. A partir de agosto, setembro e outubro, os modelos indicam chance igual ou superior a 90% de formação do El Niño, com possibilidade de persistência até o próximo ano.
O El Niño é um fenômeno natural caracterizado pelo aquecimento anômalo das águas superficiais do Oceano Pacífico equatorial. Ele integra o sistema conhecido como El Niño-Oscilação Sul (ENOS), que alterna entre três fases: El Niño, La Niña e neutralidade. Durante um episódio de El Niño, a temperatura da superfície do mar fica pelo menos 0,5°C acima da média por período prolongado.
A formação do fenômeno está relacionada ao comportamento dos ventos alísios, que normalmente empurram as águas superficiais do Oceano Pacífico para oeste, permitindo a subida de águas mais frias das camadas profundas. Quando esses ventos enfraquecem ou mudam de direção, as águas mais quentes permanecem na superfície por mais tempo, favorecendo o aquecimento anômalo.
No Brasil, os efeitos do El Niño costumam variar conforme a região. Segundo o Inmet, o fenômeno geralmente aumenta o risco de seca na faixa norte das regiões Norte e Nordeste, enquanto favorece volumes maiores de chuva na Região Sul. Também podem ocorrer impactos na porção norte do Centro-Oeste e do Sudeste, com tendência de redução das chuvas e maior frequência de períodos de estiagem.
A agricultura está entre os setores mais sensíveis às alterações provocadas pelo fenômeno. Nas regiões Norte, Nordeste e em parte do Centro-Oeste e Sudeste, a redução das chuvas pode comprometer o desenvolvimento das lavouras, reduzir a disponibilidade hídrica e elevar o risco de perdas, especialmente em sistemas de sequeiro.
Na safra de verão, a redução das chuvas durante anos de El Niño pode aumentar a ocorrência de veranicos na primavera e no início do verão em áreas do Norte, Nordeste e parte do Centro-Oeste e Sudeste. Esse cenário pode afetar a implantação das lavouras e o desenvolvimento inicial de culturas como soja e milho.
Na Região Sul, o El Niño costuma estar associado ao aumento das chuvas, principalmente no inverno e na primavera. Embora a maior disponibilidade hídrica possa beneficiar algumas culturas, o excesso de umidade no solo também pode causar encharcamento, dificultar o plantio, prejudicar tratos culturais e favorecer doenças fúngicas.
O Inmet destaca que os cereais de inverno cultivados no Sul, como trigo e aveia, podem ser afetados durante os períodos mais chuvosos, sobretudo entre setembro e outubro. Nessas condições, fases como floração, enchimento de grãos e maturação ficam mais vulneráveis ao excesso hídrico, o que pode comprometer a produtividade e a qualidade dos grãos.
O órgão ressalta que os impactos de um eventual El Niño em 2026 ainda dependerão de outros fatores, como a intensidade do fenômeno e as condições de temperatura da superfície do mar nos oceanos Atlântico Tropical e Sul. A interação entre esses sistemas pode alterar a distribuição das chuvas e a intensidade dos efeitos nas diferentes regiões do país.













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