A probabilidade de formação do fenômeno El Niño deve aumentar ao longo dos próximos meses, segundo o Boletim Agroclimatológico de abril de 2026, divulgado pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).
De acordo com a análise baseada no modelo de previsão do ENOS do International Research Institute for Climate and Society (IRI), a tendência imediata ainda é de neutralidade no trimestre abril-maio-junho, mas os cenários seguintes já indicam avanço da chance de configuração do El Niño.
O boletim informa que, para o trimestre abril-maio-junho de 2026, a condição mais provável ainda é a neutralidade, com 53% de chance. Para o trimestre maio-junho-julho, porém, a previsão já aponta cerca de 72% de probabilidade de ocorrência do El Niño, sinalizando mudança no padrão observado até agora.
A tendência de aquecimento também aparece no acompanhamento da região Niño 3.4, usada como referência para monitorar o ENOS. Em março, a anomalia média mensal da temperatura da superfície do mar nessa área foi de 0,03°C, valor que permanece dentro da faixa de neutralidade, definida entre -0,5°C e +0,5°C.
Ainda assim, o boletim destaca que esse resultado ficou acima do registrado no mês anterior, indicando enfraquecimento do resfriamento das águas superficiais do Pacífico Equatorial.
Além da projeção para maio-junho-julho, o boletim mostra que a probabilidade de El Niño segue predominando nos trimestres seguintes, mantendo-se acima de 70% entre o período de maio-junho-julho e chegando a 80% no trimestre junho-julho-agosto, sempre acima das chances de neutralidade e de La Niña.
Adaptado de IRI.
Na prática, o boletim indica que o cenário atual ainda não configura oficialmente o fenômeno, mas aponta uma trajetória de aumento consistente da probabilidade de El Niño nos próximos meses. O monitoramento, segundo o Inmet, continua sendo feito a partir das anomalias de temperatura da superfície do mar no Pacífico Equatorial e das projeções probabilísticas dos centros internacionais de clima.
El Niño e La Niña
Em termos gerais, o El Niño e a La Niña alteram a circulação da atmosfera e, por isso, costumam modificar o regime de chuva e temperatura no Brasil, embora os efeitos variem em intensidade e distribuição de um evento para outro.
De forma recorrente, o El Niño tende a favorecer chuvas acima da média no Sul e a reduzir as precipitações em partes do Norte e do Nordeste, enquanto a La Niña costuma produzir o padrão oposto, com maior favorecimento de chuvas no Norte e em parte do Nordeste e menor regularidade no Sul.
Esses fenômenos, ligados ao aquecimento ou resfriamento das águas do Pacífico Equatorial, estão entre os principais fatores de grande escala que influenciam o clima brasileiro, ao lado das condições do Atlântico Tropical.















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