O desempenho de Lula no primeiro turno das eleições revelou um padrão incomum: o petista avançou nos dois extremos da pirâmide de renda do Brasil, obtendo bons resultados tanto entre os eleitores mais ricos quanto entre os mais pobres, da classe E. Contudo, o principal desafio dele está na Classe C.
De acordo com Pedro Doria, diretor de jornalismo do Canal Meio, existe um confronto de culturas que explica a resistência desse segmento.
“Fundamentalmente, para as pessoas de classe C, existe um confronto de culturas. A esquerda brasileira acredita num modelo de Estado de empresas grandes, essencialmente, com centenas de milhares de funcionários”, afirmou Doria em entrevista à CNN nesta terça-feira (6).
Doria também destacou que medidas como a taxação sobre produtos importados de baixo custo foram percebidas negativamente por esse público.
“A taxa das blusinhas foi um soco no fígado dessa classe média ascendente, porque a compra de produtos chineses representa tanto o símbolo de status como produtos para revenda de pequenos negócios”, explicou.
O jornalista reforçou que diversas políticas do governo Lula foram percebidas como “contra” esse público.
Apesar das críticas, Doria fez uma ressalva importante: a classe C, especialmente as mulheres, é extremamente dependente de serviços públicos como hospitais e escolas.
“É nessa hora que eles olham para o bolsonarismo e falam: ‘esses caras não vão me ajudar’. É por isso que esse público acaba pendular“, disse.
O desafio de reconquistar votos
O analista de política Pedro Venceslau destacou que reconectar-se com o eleitorado da classe C é o principal desafio de Lula nesta campanha. “Se reconectar com o eleitorado que votou nele lá atrás, chegou à classe C, mas agora tenta se manter na classe C”, afirmou.
Segundo ele, a classe C hoje tem ambições como morar em um bairro melhor, fazer viagens e pagar dívidas.
O analista apontou ainda que a margem de manobra é pequena diante da polarização do eleitorado.
“Já virou um clichê falar em calcificação, mas é isso que a gente tem: uma porcentagem mínima de votos decidindo uma eleição, os eleitores de um lado rejeitando do outro e isso se retroalimentando”, disse Venceslau.
Segundo ele, a aposta do governo está nos programas sociais, na transferência de renda e em pautas como o fim da escala 6×1, para tentar recuperar os cerca de 2 milhões de votos de diferença.














Deixe um comentário