O candidato do PT ao Governo do Distrito Federal (GDF), Leandro Grass, afirmou em entrevista ao CB.Poder, que pretende ampliar as alianças e mudar a estratégia de campanha do segundo turno. Entre as prioridades, citou a busca por apoio de candidatos não eleitos, o diálogo com eleitores que não foram às urnas e uma atuação mais articulada entre as redes sociais.
“Rua e redes, redes e rua”, resumiu Grass ao falar sobre estratégia para a nova etapa da disputa. Segundo ele, a campanha precisa estar presente nos territórios, mas também disputar espaços nas plataformas digitais com temas ligados ao cotidiano da população.
Grass disputa o segundo turno para o GDF contra a atual governadora Celina Leão (PP) no dia 25 de outubro. No primeiro turno, Celina recebeu 825.350 votos (49,93%), enquanto Grass teve 569.930 (34,47%), segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Busca por alianças
Grass afirmou que já iniciou conversas com candidatos que participaram do primeiro turno e citou Ricardo Cappelli (PSB), Paula Belmonte (Cidadania), Kika Caputo e José Roberto Arruda. Cappelli já declarou apoio ao petista para a segunda etapa das eleições.
A articulação, segundo Grass, não deve ficar restrita aos partidos. Ele disse que também pretende dialogar com grupos e eleitores ligados às candidaturas que ficaram pelo caminho.
“Não é só sobre partidos ou candidatos. É sobre pessoas que tenham desejo, uma visão comum sobre temas”, afirmou.
O candidato também sinalizou que pretende aproveitar propostas apresentadas por outras campanhas. Entre os exemplos citados estão a plataforma voltada a motoristas e entregadores, defendida por Cappelli; a ampliação das escolas e creches em tempo integral, associada à campanha de Paula Belmonte; propostas de mobilidade apresentadas por Arruda; e medidas de transparência e dados abertos defendidas por Kiko.
Autocrítica após primeiro turno
Na entrevista, Grass também falou sobre a avaliação feita pela campanha após o resultado nas urnas. Para o candidato, a resposta não deve ser responsabilizar o eleitor, mas entender por que parte da população não se identificou com a candidatura apresentada.
Segundo Grass, a campanha precisa ir atrás de quem não se sentiu representado e melhorar a forma de conversar com esse público. “Não adianta achar que o eleitor vai vir a nós. Nós temos que ir até o eleitor. A gente tem que se apresentar. A gente tem que conversar”, disse.
O candidato afirmou ainda que a rejeição ao PT e ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva não deve ser o centro da disputa no Distrito Federal. Para ele, a campanha precisa apresentar a eleição como uma forma de discutir os problemas e o futuro da capital.
Na avaliação de Grass, o sentimento de frustração por parte do eleitorado precisa ser convertido em mobilização para o segundo turno. “Esse sentimento de indignação tem que se transformar em esperança. Nós temos que converter essa paralisia ou essa inércia em algo concreto”.
Campanha mira em problemas do cotidiano
A partir dessa estratégia, Leandro Grass defendeu que a campanha se aproxime mais de temas que fazem parte do cotidiano dos eleitores. Para ele, a disputa não pode ficar concentrada em discussões políticas nas redes sociais.
“Vamos pensar na vida real. Vamos pensar na comida barata, no aluguel barato. Vamos pensar no transporte, na saúde”, declarou.
O candidato também citou que pretende alcançar o eleitorado que não participou do primeiro turno. Durante a entrevista, Grass mencionou que mais de 430 mil pessoas não votaram ou tiveram dificuldades de participar da votação.
Grass voltou a criticar a adversária e o grupo político que atualmente comanda o Distrito Federal. Entre os assuntos citados estiveram o Banco de Brasília (BRB) e as investigações envolvendo o Banco Master.
Propostas para um eventual governo
Ao falar sobre o que pretende apresentar ao eleitor no segundo turno, Grass citou propostas para para um possível governo. Na saúde, mencionou a ampliação da telessaúde e medidas para reduzir filas de consultas, exames e cirurgias. Na educação, voltou a defender escolas em tempo integral e transporte gratuito para estudantes da rede pública.
Para a mobilidade, citou a implantação do BRT Norte e a expansão do sistema de trilhos. O candidato também afirmou que pretende buscar recursos federais e de instituições de financiamento para viabilizar investimentos.
Grass disse ainda que algumas das propostas incorporadas à campanha serão resultado das conversas com outros candidatos.
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