O Observatório pelo Direito à Comunicação (ODC) informou nesta sexta-feira (5) que pelo menos nove jornalistas sofreram agressões físicas e prisões arbitrárias por parte dos Carabineros (polícia ostensiva do Chile) na última quarta-feira (3), durante protestos estudantis em Santiago, capital do Chile, contra os cortes na educação promovidos pelo governo de direita de José Antonio Kast.
A organização documentou abusos, incluindo o uso de gás lacrimogêneo, a destruição de credenciais de imprensa e o confisco de equipamentos técnicos, descrevendo a situação posteriormente como um “retrocesso institucional”.
“É especialmente grave que uma das formas mais severas de violência contra a imprensa venha de agentes do Estado, que agem contra pessoas que estão realizando trabalhos de registro e reportagem de interesse público”, afirmou o observatório.
Segundo a denúncia, as forças policiais atacaram diretamente jornalistas, fotojornalistas, trabalhadores da mídia comunitária e estudantes de jornalismo que estavam cobrindo os protestos estudantis.
A organização de direitos humanos instou as autoridades de Santiago a garantirem condições seguras para o exercício do jornalismo, ao mesmo tempo em que apelou aos meios de comunicação comunitários do país sul-americano para que denunciem quaisquer violações da liberdade de expressão cometidas pelos Carabineros.
A Federação dos Estudantes da Universidade de Santiago do Chile (Feusach) emitiu um comunicado público na quinta-feira (4), no qual condenou veementemente a repressão desproporcional exercida pela polícia contra estudantes e trabalhadores.
A violência policial ocorreu durante uma mobilização nacional contra cortes no orçamento da educação, organizada pela Confederação de Estudantes Chilenos (Confech). Dezenas de estudantes foram presos e um grande número de manifestantes ficou ferido durante a repressão policial.
Os representantes estudantis exigiram uma declaração pública imediata da Ministra da Educação, María Paz Arzola, e do Ministro da Segurança, Martín Arrau, a respeito das graves violações dos direitos humanos registradas nas ruas da capital chilena.
Os estudantes chilenos rejeitam o conjunto de medidas de austeridade e controle policial promovidas pelo presidente José Antonio Kast.
A federação universitária repudia o Plano Nacional de Reconstrução e o corte orçamentário de 3%, a mega reforma tributária que reduz os impostos sobre grandes empresas de 27% para 23%, bem como a Lei das Escolas Protegidas, por punir os protestos com a retirada do benefício da gratuidade do ensino.
A Central Sindical dos Trabalhadores do Chile critica ainda o cadastro de vândalos, por considerá-lo um instrumento de perseguição institucional que busca coagir a mobilização pacífica a fim de proteger os privilégios das elites financeiras e criminalizar a atividade dos sindicatos operários.
com informações da teleSur













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