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Partido Comunista da China chega a 105 anos com expansão de sua base e 101 milhões de membros

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O Partido Comunista da China (PCCh) completa 105 anos nesta quarta-feira (1º). O partido foi fundado em 1921, em Xangai, em meio a um processo histórico de transformação do país que levou a China de uma nação marcada por instabilidade política e pobreza estrutural a uma das principais economias globais do século XXI.

Segundo relatório do Departamento de Organização do Comitê Central, o partido contava, ao final de 2025, com 101,29 milhões de membros, após um aumento de 1,01 milhão de filiados em um ano. A organização também alcançou 5,43 milhões de estruturas de base, distribuídas por diferentes níveis administrativos, instituições públicas e setores sociais.

A composição interna do partido reflete sua ampla inserção na sociedade chinesa. As mulheres representam cerca de 31,5% do total de membros, enquanto os integrantes de minorias étnicas somam 7,8%, o equivalente a aproximadamente 7,88 milhões de pessoas. Além disso, mais de 12 milhões de militantes têm 30 anos ou menos, indicando um processo contínuo de renovação geracional dentro da estrutura partidária.

O PCCh surgiu em um contexto de forte instabilidade política e social e, ao longo do século XX, desempenhou papel central na unificação do país e na construção das instituições da República Popular da China, proclamada em 1949.

Nas últimas décadas, especialmente a partir das reformas econômicas iniciadas no final dos anos 1970, a China passou por profundas transformações econômicas e sociais, com forte industrialização, urbanização acelerada e redução significativa da pobreza. Esse processo esteve diretamente associado à capacidade de planejamento de longo prazo e coordenação institucional do Estado chinês sob liderança do Partido.

Xi Jinping lidera cerimônia

O secretário-geral do Partido Comunista da China e presidente do país, Xi Jinping, liderou a cerimônia central do 105º aniversário em Beijing. O ato foi realizado no Grande Salão do Povo, principal sede de eventos políticos e institucionais do país, onde o partido concentra suas principais solenidades nacionais e encontros de liderança.

As celebrações ocorrem poucos anos após o centenário do Partido, em 2021, quando o governo chinês reforçou a narrativa histórica de continuidade entre a fundação em 1921, a Revolução de 1949 e o atual período de consolidação institucional sob a liderança de Xi Jinping.

Nesse contexto, o PCCh mantém sua posição como núcleo central do sistema político chinês, articulando decisões de Estado, planejamento econômico e direção estratégica de longo prazo, mais de um século após sua fundação em Xangai.

Resistência, libertação, reconstrução e ascensão

Inspirado pelo marxismo e pelas transformações revolucionárias do início do século XX, o Partido Comunista da China iniciou sua organização entre trabalhadores urbanos e camponeses, em oposição ao governo nacionalista do Kuomintang.

Nos primeiros anos, o PCCh enfrentou forte repressão, o que levou à consolidação de sua estratégia de atuação no campo e à construção de bases rurais. Esse processo foi acompanhado pela formulação da ideia de “cerco das cidades a partir do campo”, que se tornaria uma das estratégias centrais da revolução chinesa.

Entre 1934 e 1935, durante a Longa Marcha, as forças comunistas percorreram milhares de quilômetros em retirada estratégica para escapar do cerco militar do Kuomintang. O episódio consolidou a liderança de Mao Zedong dentro do partido e reforçou a coesão ideológica e militar do movimento, sendo posteriormente incorporado à narrativa oficial como símbolo de resistência e disciplina revolucionária.

A partir de 1937, com a invasão japonesa e o início da Segunda Guerra Sino-Japonesa, o PCCh e o Kuomintang formaram uma Frente Unida Antijaponesa, uma aliança tática para enfrentar o inimigo externo. Nesse período, o PCCh expandiu significativamente sua influência nas áreas rurais, fortalecendo a chamada “linha de massas”, conceito que defende a ligação direta entre o partido e as necessidades do povo.

Durante a guerra de resistência (1937–1945), o PCCh consolidou bases em regiões do norte e centro da China, ampliando sua capacidade militar e organizativa. Esse processo foi decisivo para o fortalecimento do partido no pós-guerra e para o aumento de sua legitimidade social.

Com o fim da Segunda Guerra Mundial, o conflito interno com o Kuomintang foi retomado, resultando na guerra civil chinesa. A vitória comunista em 1949 levou à proclamação da República Popular da China, marco que inaugurou a fase de construção do novo Estado sob liderança do PCCh.

No período de Mao Zedong, foram implementadas campanhas de transformação social e econômica, como a coletivização agrícola e a industrialização acelerada, dentro do conceito de “linha de construção socialista”. Esse período também consolidou o papel do partido como núcleo central do Estado.

A partir do final da década de 1970, com Deng Xiaoping, a China iniciou o processo de “Reforma e Abertura” (gaige kaifang), introduzindo mecanismos de mercado dentro de uma estrutura de planejamento estatal. Essa fase deu origem ao conceito de “socialismo com características chinesas”, que combina desenvolvimento econômico com a centralidade política do partido.

Nas últimas décadas, o PCCh passou a enfatizar a ideia de “Nova Era do Socialismo com Características Chinesas”, especialmente sob a liderança de Xi Jinping, reforçando a centralidade do partido na governança, na estabilidade institucional e na estratégia de desenvolvimento de longo prazo.





Com Informações: Brasil de Fato

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