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‘Maioria dos brasileiros não quer interferência externa nas nossas eleições’, diz cientista político

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Em seu discurso durante a 68ª Cúpula do Mercosul, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fez duras críticas à extrema direita e declarou que será candidato à reeleição em outubro para defender a democracia. “Não é possível a gente imaginar irresponsáveis governando um país de 215 milhões de habitantes”, declarou o presidente, que também disse que os países “não devem fazer um alinhamento automático”, em clara alusão aos Estados Unidos.

O cientista político Francisco Fonseca, professor de Ciência Política na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) e na Fundação Getúlio Vargas (FGV), defende que é importante o posicionamento do presidente Lula diante do avanço da onda conservadora na América Latina.

“De fato, há um movimento da extrema direita na América Latina que é muito estimulado pelos Estados Unidos. É claro que isso, de alguma maneira, tem um grau de pressão contra o Brasil. Por outro lado, os países têm questões próprias, têm autonomia. No caso do Brasil, o Lula ostenta dados eleitorais, em perspectiva histórica muito consolidada. Sobretudo, nos principais extratos sociais, por exemplo, as mulheres, os negros. Lula tem base popular. As últimas pesquisas mostram que há um empate no Sul e Sudeste, e uma grande vitória no Nordeste e em Minas Gerais. A dimensão internacional sempre vai ter um peso, mas a maioria dos brasileiros não quer interferência externa nas nossas eleições”, afirma em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato.

Para ele, o maior risco internacional é que, juntamente com a extrema direita brasileira, seja criado um fato político ou mesmo seja fabricada uma mentira que possa afetar a eleição. “Do ponto de vista estritamente eleitoral, está muito claro que Lula não perdeu a dianteira, seja no primeiro, seja no segundo turno.”

Chapa pura

Gilberto Kassab será candidato à vice na chapa de Ronaldo Caiado, formando, portanto, uma chapa pura do PSD na corrida presidencial. “É muito curioso o PSD lançar um candidato de extrema direita dizendo que ele é de centro. Caiado é o candidato do agronegócio, dos capangas, um político absolutamente antipopular”, avalia.

Francisco Fonseca também analisa que Kassab talvez aposte na desidratação total da campanha de Flávio Bolsonaro e, diante dessa possibilidade, a sua chapa, hoje pouco competitiva, pode se projetar. “O episódio da Michelle afeta a campanha já combalida de Flávio por conta do escândalo do Banco Master e pelo tariflávio. Então, de fato, uma possível retirada da candidatura de Flávio pode fazer sentido”, afirma.

Para ouvir e assistir

O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 12h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.





Com Informações: Brasil de Fato

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