A PEC (Proposta de Emenda à Constituição) pelo fim da escala 6×1 aprovada na Câmara dos Deputados segue gerando críticas do setor produtivo, que alerta para impactos nos custos, no bolso do consumidor e para os próprios trabalhadores.
A CNN Brasil�ouviu especialistas e representantes sobre os impasses econômicos da redução da escala e da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais, que enxergam na produtividade um dos entraves para a mudança.
Produtividade: Brasil x desenvolvidos
José Pastore, presidente do Conselho de Emprego e Relações do Trabalho da FecomercioSP, compara o cenário brasileiro com o de países desenvolvidos que implementaram mudança nas horas trabalhadas.
Para ele, é preciso elevar a produtividade para então reduzir a jornada. “Para cada melhoria de produtividade, eles [países desenvolvidos] reduzem um pouco a jornada”, afirma.
O Brasil, no entanto, está “estagnado em nível muito baixo” em termos de produção, reconhece Pastore.
Enquanto trabalhadores em países avançados produzem entre US$ 60 e US$ 80 por hora, no Brasil a média é de US$ 17.
A ponderação também é feita por André Portela, professor de Economia da FGV (Fundação Getúlio Vargas). Ele ainda destaca que outras nações não combinaram redução da jornada e fixação de uma escala específica em constituição.
“As escalas sempre foram negociadas pelas partes abaixo da lei”, explica.
Portela vê uma relação diferente entre produtividade e horas trabalhadas do que o defendido pela PEC do fim da 6×1.
“Não é a redução de jornada e de escala que faz aumentar a produtividade. Ao contrário, o aumento da produtividade leva à redução de jornada”, defende.
Produtividade não compensa redução de jornada
Por outro lado, Gustavo Madi, diretor da consultoria LCA, reconhece que o trabalhador mais descansado apresenta maior rendimento, comete menos erros e apresenta menor rotatividade, o que faz a produtividade por hora trabalhada aumentar.
Contudo, ele contrapõe que esse ganho não compensa a redução no total de horas mensais trabalhadas.
“Esse aumento da produtividade por hora não é suficiente para compensar a produção total no intervalo maior de tempo. Ao longo de um mês, por exemplo, o total trabalhado por esse funcionário vai se reduzir, isso significa um menor nível de produção”, diz Madi.
Para ele, a medida tem, portanto, “um custo em termos de redução da capacidade produtiva da população como um todo”.
Impacto nos custos
O problema de produção é anterior à discussão sobre o fim da 6×1 e apostar que a mudança de escala trará ganhos neste sentido é improvável, segundo Felipe Tavares, economista-chefe da BGC Liquidez.
“O Brasil tem uma dificuldade significativa de conseguir ter ganhos de produtividade claros na nossa economia, principalmente na nossa história recente. A gente tem aí 40, 50 anos que tem dificuldade para achar esses ganhos de produtividade”, afirma Tavares.
Ele questiona a capacidade de manter os volumes de produção de forma constante sem aumentar o número de trabalhadores, fato que sustentaria o argumento favorável à PEC da 6×1.
“A probabilidade de você ter ganho de produtividade é muito pequena”, diz.
O cenário projetado pelo economista-chefe da BGC Liquidez é de aumento de contratações e despesas para os empresários manterem os níveis de produção, o que prejudicaria os cofres das empresas e consequentemente do consumidor.
“Você vai ter um desarranjo completo de estrutura de custos do empresariado, porque ele vai ter que contratar mais pessoas para conseguir fechar o que tinha antes. Isso vai ter pressão sobre preços, isso gera desarranjo inflacionário”, alerta Tavares.













Deixe um comentário