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Papa Leão reza por imigrantes e manda recado aos EUA e à Europa

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No dia em que os Estados Unidos comemoram o 250º aniversário de independência, o Papa Leão 14 visitou a ilha de Lampedusa, na Itália, que é símbolo da crise migratória global. Diante de milhares de pessoas, ele celebrou uma missa com forte mensagem política, em que apontou a indiferença do mundo em relação ao tema e cobrou proteção às pessoas mais vulneráveis.

Segundo informações da imprensa internacional, a visita do Papa ao local no dia da Independência estadunidense não é aleatória. A defesa do pontífice a soluções mais justas e humanas para as questões migratórias ocorrem em meio a tensões com o governo de Donald Trump.

Leão 14 tem criticado abertamente a ofensiva da atual administração dos EUA contra a população de imigrantes no país e classifica o tratamento dispensado a esse grupo como “desumano”. Na semana passada, o vice-presidente estadunidense, JD Vance, classificou as posições do Vaticano sobre a imigração como “preocupantes”.

Outro tema que gera embate é a Guerra no Irã. Os posicionamentos do Papa já levaram o governo Trump a publicar uma série de ataques sem precedentes contra o líder religioso. Em abril, JD Vance declarou que Leão 14 precisava ser “cuidadoso” ao discutir religião e sugeriu que ele levasse em consideração a doutrina da “Guerra Justa” ao tratar dos ataques ao país persa.

Alerta à Europa

Em Lampedusa, o papa se dirigiu diretamente aos países europeus. Segundo ele, o continente reúne condições para elaborar uma nova política relativa às migrações. Nas palavras do pontífice, a região tem que assumir a responsabilidade de trabalhar o tema com respeito à dignidade e acolhimento.

“A Europa está em condições de enfrentar a crise de forma orgânica, integrando o primeiro socorro num plano estratégico de longo prazo.” afirmou. Ele completou que essa é uma tarefa não só das instituições públicas, mas também de toda a sociedade civil e da própria Igreja.

Leão 14 fez referências diretas às vítimas da travessia para Lampedusa. “Os mortos neste mar são vítimas tanto de decisões tomadas como de decisões omitidas. O desinteresse pelo bem comum e a corrupção nos países de origem, um sistema econômico mundial que gera pobreza e exclusão, o medo que alimenta preconceitos e desprezo, a ideia de que esses problemas não nos dizem respeito, os cálculos criminosos de quem lucra com o drama dos outros”.

A viagem apostólica também foi marcada por momentos de luto e memória. O pontífice visitou o cemitério de Cala Pisana e depositou flores no túmulo de imigrantes. Um deles é o bebê Yusuf, que morreu afogado aos seis meses nas águas líbias, após o naufrágio do barco onde viajava com a mãe de 17 anos

O papa caminhou pela emblemática Porta da Europa, um monumento erguido no extremo sul da ilha voltado para o Mediterrâneo. Ele recebeu ainda um presente de um menino de 11 anos, que chegou sozinho à ilha após perder a mãe na travessia. A criança entregou ao pontífice uma bola de papel, único brinquedo que tinha após a tragédia.





Com Informações: Brasil de Fato

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