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Hamas condiciona desmilitarização à retirada de Israel de Gaza e cumprimento do cessar-fogo

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O Hamas afirmou nesta sexta-feira (31) que a implementação da segunda fase do acordo de cessar-fogo na Faixa de Gaza depende do cumprimento integral dos compromissos assumidos por Israel na primeira etapa das negociações. Em comunicado oficial, o movimento palestino declarou que a retirada das tropas israelenses do território e o fim do genocídio em curso são condições indispensáveis para avançar no processo de desmilitarização do grupo.

“O compromisso da ocupação em pôr fim às mortes é o pré-requisito fundamental para prosseguir com a implementação e o estabelecimento de um cronograma para o que foi acordado”, afirmou o Hamas. O grupo também defendeu a entrada do Comitê Nacional para a Administração de Gaza (NCAG), o envio de uma Força Internacional de Estabilização (FIE) e a dissolução das milícias apoiadas por Israel.

Também nesta sexta-feira, o Conselho da Paz divulgou o detalhamento do roteiro para a implementação das próximas fases do plano de paz anunciado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O documento estabelece que o avanço do acordo dependerá do cumprimento verificado das obrigações assumidas por cada lado e apresenta um cronograma para a retirada gradual das forças israelenses da Faixa de Gaza, a transferência da administração civil para um órgão palestino e o desarmamento progressivo das facções.

Segundo o roteiro de 15 pontos, a passagem de uma fase para outra somente ocorrerá após certificação do Comitê Internacional de Verificação (IVC), responsável por monitorar o cumprimento dos compromissos por ambas as partes. O texto prevê que o NCAG assuma gradualmente a administração da Faixa de Gaza, garantindo a continuidade dos serviços públicos, conduzindo a reconstrução do território e administrando os recursos destinados à recuperação da região.

Na área da segurança, o documento reafirma o princípio de “Uma Autoridade, Uma Lei, Uma Arma”. O NCAG passará a ser a única autoridade responsável pela gestão das forças de segurança, pelo registro de armas e pela administração dos arsenais existentes em Gaza.

O roteiro determina ainda que o processo de descomissionamento das armas pesadas, instalações militares, depósitos de armamentos e túneis somente começará após o cumprimento dos compromissos restantes do Protocolo de Sharm Sheikh, a entrada do NCAG na Faixa de Gaza e o destacamento da Força Internacional de Estabilização. O processo será gradual, supervisionado pelo Comitê Internacional de Verificação e vinculado à retirada faseada das tropas israelenses das áreas que ocupam no território.

O texto também estabelece que nenhuma arma será entregue a Israel ou a qualquer parte não palestina. Ao final da implementação do acordo, apenas o NCAG poderá armazenar e controlar armamentos em Gaza. O roteiro prevê ainda o descomissionamento das milícias armadas, a assinatura de um acordo de paz social para impedir confrontos internos e a implantação da Força Internacional de Estabilização, que terá como funções monitorar o cessar-fogo, proteger a entrada de ajuda humanitária, treinar a polícia palestina e apoiar a administração de transição.

Israel ainda não respondeu

Israel ainda não se pronunciou oficialmente sobre o roteiro nem sobre o comunicado divulgado pelo Hamas. Segundo a agência AFP, uma fonte política israelense afirmou que a proposta não atende de forma satisfatória à exigência do governo israelense de uma desmilitarização completa de Gaza. A mesma fonte disse que o tema não foi tratado durante a reunião realizada nesta semana entre o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e Donald Trump.

Do outro lado, fontes do alto escalão do Hamas disseram à AFP que o movimento aceitou um mecanismo de desarmamento administrado pelo NCAG, desde que o processo ocorra simultaneamente à retirada israelense e sob garantias dos mediadores internacionais. O negociador Ghazi Hamad afirmou que as concessões foram feitas “para salvar nosso povo na Faixa de Gaza da morte e do deslocamento” e acrescentou que Israel não participará da administração do desarmamento.

Genocídio continua apesar do cessar-fogo

Enquanto as negociações avançam, os ataques israelenses continuam na Faixa de Gaza. Na quinta-feira (30), ao menos seis palestinos foram mortos, entre eles crianças, em bombardeios realizados em diferentes regiões do território. Os ataques atingiram, entre outros locais, um acampamento de deslocados em Khan Younis e uma residência no campo de refugiados de Bureij, conforme informações da Al Jazeera.

Segundo o Ministério da Saúde de Gaza, mais de mil palestinos foram assassinados pelas forças israelenses e cerca de três mil ficaram feridos desde a entrada em vigor do cessar-fogo, em outubro de 2025. O acordo previa o fim das operações militares e a ampliação da entrada de ajuda humanitária, mas organizações internacionais e autoridades palestinas denunciam sucessivas violações por parte de Israel, incluindo ataques aéreos e restrições ao envio de alimentos, medicamentos e outros suprimentos essenciais.

Desde o início do genocídio promovido por Israel na Faixa de Gaza, em outubro de 2023, os ataques israelenses mataram pelo menos 73.341 palestinos e feriram outros 174.086, de acordo com dados do Ministério da Saúde.





Com Informações: Brasil de Fato

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