Últimas notícias

Brasil teve sete ondas de calor em 2025 e verão mais quente desde 1961, aponta OMM

3


O Brasil registrou sete episódios de onda de calor em 2025, com temperaturas acima de 40°C no Rio Grande do Sul e em partes do Rio de Janeiro entre janeiro e o início de março. Os dados constam no relatório Estado do Clima na América Latina e no Caribe, divulgado nesta segunda-feira (18), em Brasília, pela Organização Meteorológica Mundial (OMM).

Segundo o levantamento, o verão de 2024/2025 foi o mais quente no Brasil desde 1961. O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) informou à OMM que as ondas de calor afetaram diferentes áreas do país no ano passado. Em algumas localidades, o calor intenso levou ao adiamento do retorno das aulas após os feriados.

O relatório aponta que os sinais da mudança climática estão cada vez mais presentes na América Latina e no Caribe. Em 2025, a região enfrentou eventos extremos como temperaturas de até 52,7°C, secas prolongadas, chuvas intensas, ciclones tropicais, tornados e um furacão de categoria 5.

Na avaliação da OMM, a costa atlântica da região também apresenta elevação do nível do mar em ritmo mais rápido do que a média global. A combinação entre calor extremo, seca, enchentes e eventos costeiros amplia os riscos para populações, atividades econômicas, ecossistemas e infraestrutura.

Calor passou de 40°C no Brasil

A OMM destacou episódios de calor recorde em várias partes da América Latina e do Caribe. O maior registro informado no relatório foi de 52,7°C em Mexicali, no México. Também foram observadas múltiplas ondas de calor acima de 40°C a 45°C em países da América Central.

No Brasil, as temperaturas ultrapassaram os 40°C no Rio Grande do Sul e em áreas do Rio de Janeiro entre janeiro e o início de março. O período coincidiu com o verão mais quente já registrado no país desde o início da série histórica em 1961.

As ondas de calor têm impactos diretos sobre a saúde pública, o consumo de energia, a disponibilidade de água e a rotina escolar. O relatório cita que, diante das temperaturas elevadas, muitas escolas adiaram o retorno das aulas após os feriados.

Seca atingiu bacias do Amazonas, Paraná e São Francisco

Além do calor, o Brasil enfrentou condições de seca em importantes bacias hidrográficas. Segundo o relatório, a região amazônica registrou estações secas mais longas e frequentes, especialmente no sul e no leste da floresta.

As porções sul e oeste da bacia amazônica, assim como a região da Serra dos Parecis, tiveram volume total de precipitação abaixo do habitual. No primeiro semestre de 2025, algumas localidades apresentaram seca incomum, incluindo a região do Estuário Amazônico, o que prolongou os efeitos da estiagem observada no ano anterior.

O Nordeste e o Sudeste também foram afetados por seca extrema a moderada nas bacias dos rios Paraná e São Francisco. Essas regiões concentram áreas importantes para abastecimento humano, produção agrícola, geração de energia e atividades econômicas ligadas ao uso da água.

Abastecimento urbano ficou sob pressão

No primeiro semestre de 2025, a seca severa se estendeu do Norte e do Nordeste até estados agrícolas do Centro-Sul, incluindo São Paulo, Goiás, Minas Gerais e Mato Grosso do Sul.

De acordo com o relatório, os rios atingiram níveis extremamente baixos, pressionando o abastecimento urbano. Comunidades indígenas e rurais também enfrentaram dificuldades devido ao acesso limitado à água potável e à queda nas colheitas.

Grandes áreas do Planalto Brasileiro ficaram mais secas do que o normal. A região próxima à Serra da Mantiqueira recebeu volumes de chuva excepcionalmente baixos, entre 10% e 20% abaixo do normal.

Oceanos mais quentes e riscos à pesca

A OMM também apontou que a América Latina e o Caribe enfrentam impactos associados à acidificação e ao aquecimento dos oceanos. Esses processos aumentam os riscos para ecossistemas marinhos e para a pesca, atividade econômica e alimentar importante em vários países da região.

A secretária-geral da OMM, Celeste Saulo, afirmou que os sinais de um clima em mudança são perceptíveis em toda a América Latina e no Caribe, com perda acelerada de geleiras, elevação do nível do mar, ciclones tropicais mais intensos, calor extremo, enchentes e secas.

Segundo ela, embora os riscos estejam crescendo, também aumenta a capacidade de antecipação e resposta para salvar vidas e proteger meios de subsistência.

Tornados no Brasil e furacão no Caribe

O relatório também cita eventos severos registrados em 2025. No Brasil, dois tornados atingiram Rio Bonito do Iguaçu, no Paraná, causando sete mortes e deixando cerca de 1,5 mil casas danificadas.

No Caribe, o furacão Melissa, registrado em outubro, foi o primeiro furacão de categoria 5 a atingir a Jamaica. O evento deixou 45 mortos e causou perdas econômicas estimadas em US$ 8,8 bilhões, valor equivalente a mais de 41% do Produto Interno Bruto (PIB) jamaicano.

A OMM informou que, apesar da intensidade do evento, autoridades locais utilizaram modelagem de risco para orientar ações de preparação e medidas financeiras antecipadas, o que ajudou a reduzir o custo humano da tragédia.

Relatório reúne principais riscos climáticos

O relatório Estado do Clima na América Latina e no Caribe reúne informações sobre impactos e riscos climáticos na região, incluindo ciclones, ondas de calor, chuvas intensas, secas e ondas de frio.

No caso brasileiro, os dados reforçam a combinação de extremos observada em 2025: temperaturas recordes, ondas de calor sucessivas, seca em bacias estratégicas, pressão sobre o abastecimento e ocorrência de fenômenos severos como tornados.

Guia rápido

Relatório: Estado do Clima na América Latina e no Caribe
Organização: Organização Meteorológica Mundial (OMM)
Divulgação: segunda-feira (18), em Brasília
Brasil: sete ondas de calor em 2025
Temperaturas: acima de 40°C no Rio Grande do Sul e em partes do Rio de Janeiro
Verão: 2024/2025 foi o mais quente desde 1961 no país
Seca: atingiu áreas das bacias do Amazonas, Paraná e São Francisco
Impactos: pressão no abastecimento urbano, queda em colheitas e dificuldades para comunidades rurais e indígenas
Eventos severos: dois tornados no Paraná, com sete mortes e 1,5 mil casas danificadas



Com informações do Agência Sertão

Deixe um comentário

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Artigos relacionados

Libertadores: Mirassol garante classificação antecipada para oitavas

O Mirassol fez história na noite desta terça-feira (19), pois, em sua...

resultado de terça-feira, 19 de maio , prêmio equivalente a R$ 1,41 bilhão

O sorteio da Mega Millions, realizado na noite desta terça-feira, 19 de...

Andrei Roman: Áudio de Flávio não foi exibido antes de pergunta sobre voto

O PL acionou o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) pedindo a suspensão, por...

Cemaden vê chance de El Niño forte, mas diz que possibilidade de Super El Niño ainda é incerta

O Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) divulgou...