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A essa altura, novos casos de corrupção impactam pouco o cenário eleitoral, avalia cientista político

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O presidente Lula (PT) aparece com 6,5 pontos de vantagem sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em um eventual segundo turno da corrida presidencial na pesquisa AtlasIntel/Bloomberg, divulgada nesta quarta-feira (1º).

Ao mesmo tempo, uma operação da Polícia Federal que apura desvios da cota parlamentar mirou pessoas ligadas ao deputado federal Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), líder do PL na Câmara dos Deputados.

Para o cientista político Paulo Roberto de Souza, no atual cenário, com alto índice de decisão de votos, esses casos de corrupção não devem impactar de maneira decisiva a corrida eleitoral. “A não ser que seja algo muito absurdo, fora dos parâmetros, afeta pouco as candidaturas, principalmente se não há envolvimento direto. O que a gente vê nas últimas pesquisas: apesar da oscilação negativa de Flávio após o episódio do ‘Dark Horse’, o cenário pouco mudou. Lula ainda continua com alguma dificuldade de avançar”, avalia em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, acrescentando que o crescimento do candidato do PT deveu-se ao eleitor pendular e indeciso, que se afastou de Flávio.

Souza observa que a distância entre os dois principais candidatos aumentou, mas o número de votos de Lula mudou pouco. “A minha hipótese nesse momento é que os pendulares estão recuando para observar como esse cenário avança, toda essa baixaria no cortiço bolsonarista, com Michelle e todo o pessoal da extrema direita brigando a céu aberto, e o avanço de investigações e implicações tanto para Flávio quanto para sua família e para alguns de seus principais aliados, entre eles o Sóstenes, que é um elo importante com o público evangélico. Há um cenário de um pouco mais de desconfiança, mas isso ainda não se transformou em uma tomada de decisão”, aponta. “Mas não há dúvidas de que aumentou o nível de desconfiança com relação a Flávio Bolsonaro.”

O futuro da direita

Em meio a conflitos, Michelle Bolsonaro saiu da presidência do PL Mulher e abriu mão da candidatura ao Senado. Em paralelo, o PSD anunciou uma “chapa pura”, com candidatos a presidência e a vice do próprio partido.

Michelle começa a pensar em 2030, assim como Renan dos Santos. A extrema direita e a direita como um todo começa a se preparar para um cenário de derrota de Flávio Bolsonaro nas eleições de outubro”, analisa o especialista. “A tendência é que a família Bolsonaro perca a sua capacidade de hegemonizar o campo da direita e da extrema direita. E a disputa se abre para quem será a pessoa a liderar essa extrema direita em 2030”, aponta.

“Dentro de um contexto super machista e misógino, se colocar uma pessoa que contesta esse autoritarismo do seu enteado é um projeto do Valdemar [Costa Neto] que, já pensando nesse pós-2026, começa a articular uma nova hegemonia da direita, pensando na figura de Michelle com, quem sabe, Tarcísio, que possam se tornar mais competitivos”, destaca Paulo Roberto de Souza.

Para ouvir e assistir

O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 12h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.





Com Informações: Brasil de Fato

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