“É real ou é IA?” É uma pergunta que se tornou cada dia mais frequente no dia a dia da internet. Vídeos de cachorrinhos dançando, novela de frutas e gatos gigantes andando em cidades são tipos de conteúdo fáceis de identificar como fruto de IA generativa, mas e os textos?
Como (quase) tudo na vida, o uso dessas ferramentas no dia a dia é uma via de mão dupla. Elas podem melhorar a vida dos usuários, facilitar processos e ensinar formas melhores de cumprir suas atividades — como, por exemplo, escrever um e-mail no trabalho.
Mas tudo isso vem com os riscos de cibersegurança, deixando brechas para possíveis ataques externos e o exagero da “linguagem” de robô nos textos. Veja abaixo o que fazer e o que não fazer ao usar a IA para ajudar na escrita.
À CNN Brasil, Wellington Santos, Diretor de Tecnologia da CLM — empresa que desenvolve soluções de cibersegurança e infraestrutura — explicou que descobrir se um texto foi completamente feito ou teve interferência da IA é uma tarefa difícil, e nem sempre possível.
“Em alguns casos, aparecem sinais como texto excessivamente organizado, linguagem muito neutra, gramática muito rebuscada, pouca espontaneidade, entre outras. Mas esses elementos são apenas indícios. O que mudou com a evolução da IA é justamente a capacidade de produzir mensagens cada vez mais naturais e personalizadas”, disse.
Cuidados online
Textos muito rebuscados, excessivamente organizados e pouco espontâneos podem ser indícios de interferências de computadores no momento em que foram redigidos ou revisados.
Apesar de ajudarem na clareza da comunicação, essas mudanças feitas com ferramentas de IA podem abrir brechas para ataques externos e roubo de dados do mundo virtual.
“Em alguns textos fica claro o uso de inteligência artificial, mas hoje não temos um método totalmente confiável para determinar se um e-mail foi produzido com ajuda desses recursos. Até ferramentas desenvolvidas especificamente para detectar textos gerados por modelos apresentam falsos positivos e podem ser contornadas com alterações relativamente simples no conteúdo”, lembrou Santos.
Ferramentas de cibersegurança podem ajudar os usuários a identificar possíveis fraudes vindas em textos produzidos por robôs e IA e prevenir golpes.
“Um e-mail pode estar impecavelmente escrito e diagramado e ainda ser malicioso. A defesa precisa migrar da análise da aparência da mensagem para a validação de identidade, contexto e intenção”, contou o diretor da CLM.
Como usar a IA para ajudar?
As ferramentas com inteligência artificial integrada podem servir de apoio para organizar mensagens, resumir informações, fazer revisão gramatical, traduzir conteúdos ou sugerir respostas. Os cuidados devem ser no momento da checagem de informações e decisão de usar ou não um conteúdo.
Santos recomenda que a descrição do pedido seja feita com o máximo de detalhamento possível e que a IA seja “tratada como um humano” para garantir que a linguagem usada por ela fique mais parecida com a usada no dia a dia, e não com a de robôs.
“A IA produz um texto muito mais natural quando sabe para quem estamos escrevendo, qual é nossa relação com aquela pessoa e como normalmente nos comunicamos. Também ajuda usar informações específicas em vez de frases genéricas, reduzir formalidades desnecessárias e revisar manualmente o resultado. Pessoas têm preferências de vocabulário e formas próprias de começar e terminar mensagens. Esses pequenos elementos dão identidade ao texto”, disse à CNN Brasil.
E concluiu: “É importante lembrar que a responsabilidade sobre a mensagem será sempre do remetente do e-mail.”













Deixe um comentário