Você se lembra em quem votou para deputado nas últimas eleições? E para o Senado? A chance de ter respondido “não” é alta. Mas e para presidente? E para governador? A maioria dos eleitores tem na ponta da língua esses nomes.
Contudo, mais que uma questão de memória, essa dificuldade de lembrar em quem depositou o voto para compor o parlamento do país guarda em si uma contradição, uma vez que o Congresso Nacional é peça-chave para a governabilidade do presidente da República.
A partir dessa evidência, o jornalista Maurício Ferro criou a Mamute Político, uma plataforma que permite acompanhar a atuação de deputados e senadores, usando inteligência artificial para transformar os dados públicos em informação acessível.
Ao BdF Entrevista, Ferro pondera que, apesar da dificuldade de o brasileiro acompanhar a atividade parlamentar, ele fala muito de política o tempo inteiro. Ou seja, não é falta de interesse, apesar das muitas campanhas de criminalização da política que o Brasil sofreu desde 2010.
“O interesse existe, está aí. O problema é ter dados sendo transformados em informação. Por isso a gente criou o Mamute Político. Ele valida uma observação que a gente vem fazendo ao longo de muitos anos na sociedade brasileira. O eleitor vota e, logo depois, semanas às vezes, ele já não se recorda mais do deputado, da deputada, ou do senador e senadora em quem ele depositou a sua confiança na urna”, relata.
O jornalista avalia que, ainda que a pessoa tente acompanhar o parlamentar que ajudou a eleger, a grande maioria o faz pelas redes sociais, que trazem uma informação mediada pelo próprio eleito.
“É enviesada, é uma informação que varia de acordo com o que o próprio parlamentar está disposto a compartilhar sobre as suas atividades. E, muitas vezes, algo que é do interesse público, do interesse daquele eleitor, acaba passando batido nesse acompanhamento das redes”, afirma.
Além disso, outro ponto mencionado pelo jornalista são os chamados desertos de informação, que são cidades que não têm sequer um jornal. “Metade das cidades brasileiras vive uma situação dessa”, afima.
Maurício Ferro pondera que a falta de memória não é apenas prejudicial para que o eleitor possa fazer seu exame de consciência sobre sua própria decisão, mas para a própria democracia. E reforça que a ferramenta vem corrigir exatamente essa questão: a conexão das informações com o eleitor.
“A gente tem ferramentas de transparência, a gente tem os dados, mas a gente não tem a capacidade até hoje de transformar esses dados em informação concreta na ponta da linha para facilitar a vida do eleitor. Para que, daqui a quatro anos, depois do voto, na hora dele votar de novo, ele consiga ter um voto baseado em fatos, em evidências concretas do que aquele parlamentar fez ou deixou de fazer, não em promessas”, resume.
Confira a entrevista completa abaixo:
Para ouvir e assistir
O BdF Entrevista vai ao ar de segunda a sexta-feira, sempre às 16h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo.













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