A vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre Flávio Bolsonaro (PL) em Minas Gerais foi resultado de uma mudança expressiva na distribuição dos votos entre o primeiro e o segundo turno das eleições presidenciais. Único estado do país em que houve virada no resultado entre as duas etapas, Minas confirmou seu peso estratégico na disputa nacional, com o avanço do petista em 76 municípios e a redução de sua desvantagem em importantes cidades da Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH) e da Região Central.
No resultado final, Lula recebeu 6.351.099 votos, o equivalente a 50,43% dos votos válidos, contra 6.241.786 votos de Flávio Bolsonaro, que somou 49,57%. A diferença foi de 109.313 votos a favor do presidente reeleito. No primeiro turno, realizado em 4 de outubro, o candidato do PL havia conquistado 48,24% dos votos válidos, enquanto Lula registrou 43,33%. A distância inicial de quase cinco pontos percentuais foi revertida na segunda etapa.
A mudança foi impulsionada pelo crescimento da votação petista em diferentes regiões do estado. Enquanto Lula ampliou sua base eleitoral, Flávio Bolsonaro também conquistou novos votos, mas em ritmo inferior. No país, o petista acrescentou 10.376.694 votos ao total obtido no primeiro turno, enquanto o candidato do PL somou mais 3.721.538. Em Minas, a disputa foi decidida pela combinação entre a conquista de novos eleitores, a reversão de resultados municipais e a diminuição das vantagens do adversário em áreas populosas.
Virada em cidades da RMBH
Levantamento com base nos dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) aponta que Lula reverteu o resultado do primeiro turno em 76 municípios mineiros. Entre eles está Ribeirão das Neves, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, que tem mais de 100 mil habitantes. O petista também virou a disputa em Santa Luzia, Ibirité, Sabará e Nova Lima, na Grande BH, além de Ubá, na Zona da Mata.
Em Ribeirão das Neves, Lula passou de 71.008 votos no primeiro turno para 89.343 no segundo, enquanto Flávio Bolsonaro saiu de 75.218 para 81.574. O resultado transformou uma desvantagem inicial de 4.210 votos em uma vitória de 7.769 votos para o petista. A cidade terminou o segundo turno com 52,27% dos votos válidos para Lula e 47,73% para o candidato do PL.
O desempenho na Região Central foi especialmente importante para a virada estadual. A região, que concentra a Grande BH e uma parcela expressiva da população mineira, registrou a maior evolução média da votação petista: 7,6 pontos percentuais por município, de acordo com o levantamento.
Lula cresceu 149 mil votos na capital mineira no segundo turno
Em Catas Altas, onde Lula já havia vencido no primeiro turno, sua votação passou de 45,7% para 58,1%, um avanço de 12,4 pontos percentuais. Já em Itabirito, o petista reverteu a derrota inicial e subiu de 41% para 52,5%, uma diferença positiva de 11,5 pontos percentuais. Caeté, Raposos, Barão de Cocais e Conselheiro Lafaiete também registraram crescimento de dois dígitos na votação de Lula.
Além do avanço nas urnas, o número de municípios vencidos pelo petista aumentou de 452 no primeiro turno para 528 no segundo. O movimento mostra que a virada não ficou restrita a uma única cidade ou região, mas se espalhou pelo território mineiro.
Capital registra redução da vantagem bolsonarista
Apesar da vitória estadual de Lula, Flávio Bolsonaro manteve a dianteira em algumas das maiores cidades mineiras. Belo Horizonte, Uberlândia, Contagem, Betim, Governador Valadares e Ipatinga permaneceram com maioria de votos para o candidato do PL. Ainda assim, os números mostram que o petista conseguiu reduzir a distância em municípios importantes para o resultado estadual.
Na capital mineira, Flávio Bolsonaro terminou com 50,80% dos votos válidos, contra 49,20% de Lula. No primeiro turno, o candidato do PL havia recebido 690.960 votos, passando para 765.311 no segundo. Enquanto o petista somou 592.037 no primeiro turno, passando, no segundo turno, para 741.128.
A diferença entre os dois candidatos caiu de 98.923 votos na primeira etapa para 24.183 na segunda. Lula acrescentou 149.091 votos à sua votação na capital mineira, enquanto Flávio ampliou a própria base em 74.351. Mesmo sem virar o resultado em Belo Horizonte, o petista reduziu significativamente a desvantagem.
Em Contagem, Flávio Bolsonaro obteve 52,88%, contra 47,12% de Lula. O candidato do PL passou de 178.639 para 195.469 votos, enquanto o petista cresceu de 139.596 para 174.157. Em Betim, a disputa foi mais apertada: Flávio terminou com 50,90%, e Lula, com 49,10%.
Já em Uberlândia, o candidato do PL alcançou 52,35%, contra 47,65% do petista. Os resultados indicam que, mesmo sem conquistar a maioria nessas cidades, Lula ampliou sua votação e diminuiu a distância em centros urbanos decisivos.
Juiz de Fora e Ribeirão das Neves reforçam avanço petista
Entre os maiores municípios do estado, Juiz de Fora se destacou pela vantagem de Lula. O presidente reeleito passou de 151.552 votos no primeiro turno para 184.952 no segundo, alcançando 57,66% dos votos válidos. Flávio Bolsonaro recebeu 135.835 votos e terminou com 42,34%.
Em Ribeirão das Neves, a virada foi ainda mais significativa para a composição do resultado metropolitano. O crescimento de Lula, aliado à ampliação mais modesta da votação de Flávio, foi suficiente para inverter a liderança municipal e garantir ao petista uma margem de quase 8 mil votos.
Outros resultados, porém, evidenciam a força do bolsonarismo em parte do interior. Em Governador Valadares, Flávio Bolsonaro conquistou 60,41%, contra 39,59% de Lula. Em Ipatinga, a vantagem do candidato do PL chegou a 62,75%, enquanto o petista obteve 37,25%. Uberaba também permaneceu com maioria bolsonarista, com 52,95% dos votos válidos.
Em Montes Claros, no Norte de Minas, a disputa terminou praticamente empatada: Flávio Bolsonaro recebeu 50,08%, e Lula, 49,92%. A diferença estreita demonstra que a disputa estadual foi definida por margens reduzidas em diferentes municípios, mesmo diante de resultados mais amplos favoráveis a um dos candidatos em outras regiões.
Minas como fiel da balança
Historicamente tratado como um termômetro das eleições presidenciais, Minas Gerais voltou a ocupar posição central na disputa nacional. A virada de Lula demonstra que a vantagem obtida por Flávio Bolsonaro no primeiro turno não se sustentou diante do crescimento da votação petista nas semanas seguintes.
Com uma diferença final de 109.313 votos, Minas foi decisiva para o resultado final em um cenário de polarização acirrada. Os dados mostram que, no segundo turno, a ampliação da votação de Lula e a distribuição territorial desse crescimento foram determinantes para garantir a vitória no estado.











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