O Ministério Público Federal (MPF) promove uma exibição do documentário “Usina Cambahyba” na sede do Rio de Janeiro nesta terça-feira (15), às 10h, com a presença de autoridades, movimentos sociais e coletivos voltados à memória, verdade, justiça, reparação e democracia.�
A sessão ocorre após o diretor Marcelo Fonseca denunciar tentativa de censura e intimidação. O filme aborda a história da antiga usina de cana-de-açúcar em Campos dos Goytacazes (RJ) durante o período da ditadura empresarial-militar. As denúncias sobre ocultação de corpos nos fornos da Cambahyba se baseiam em registros da Comissão Nacional da Verdade (CNV) e investigações conduzidas pelo MPF.
“Nós somos alvos de uma tentativa muito clara de censura e de intimidação, a ponto de termos que fazer a estreia do documentário sob uma escolta da Polícia Militar. É algo que não pode passar batido, não pode ser comum diante de uma democracia”, reforçou o diretor em entrevista ao programa Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato.�
Após a exibição, o evento será seguido de um debate mediado pelo procurador da República Julio Araújo, com a participação do documentarista Marcelo Fonseca; do cineasta Fernando Sousa; da juíza federal Maria Isadora Frizão; do historiador Lucas Pedretti; do advogado Felipe Santa Cruz; de Amanda Matheus, representando a coordenação nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST); e Dario Gularte, do coletivo Filhos e Netos por Memória, Verdade, Justiça e Reparação.
A presença do presidente do Instituto Fernando Santa Cruz tem um significado especialmente simbólico. Seu pai, Fernando Santa Cruz, é uma das vítimas da ditadura. Segundo o relato do ex-agente do Dops Cláudio Guerra, Fernando esteve entre os 12 desaparecidos políticos que teriam sido levados para a Usina Cambahyba.
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O documentário mostra a conexão da antiga usina com diferentes espaços associados à repressão no Rio de Janeiro. Entre eles, o Destacamento de Operações de Informação – Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-CODI), localizado na Rua Barão de Mesquita, na Tijuca; o Departamento de Ordem Política e Social (Dops), no centro do Rio; e a Casa da Morte, em Petrópolis.�
O cineasta enquadrou a tentativa de vetar o filme como um reflexo da disputa política e do controle sobre a memória histórica do Brasil. “É um grupo empresarial tentando controlar a memória de um tempo, e isso é muito danoso, porque o documentário se insere em um contexto de atualizar essa história. Quando nós temos uma população que, por exemplo, defende o AI-5, que vai para as ruas defender a volta da ditadura, é porque a memória da ditadura não foi suficientemente firmada”, argumenta Marcelo Fonseca.�
Parte das terras da Cambabyba foi desapropriada para fins de reforma agrária. O local abriga o assentamento Cícero Guedes, organizado pelo MST e regularizado este ano pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra).
Serviço
Sessão-debate de “Usina Cambahyba: Das Cinzas da Tortura à Terra Prometida” (Outrar Produções)
Data: terça-feira (15)
Horário: 10h
Local: Ministério Público Federal – Rio de Janeiro (Avenida Nilo Peçanha, nº 31)













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