As inscrições para as Conferências Livres da 5ª edição do Programa Spring Iyaleta se encerram na próxima quarta-feira (16). Com o tema “Municipalização dos Dados: Por uma Adaptação Climática Equânime no Sul Global”, o evento abre o calendário de atividades e acontece entre os dias 22 e 25 de setembro, em formato híbrido, presencial no Hub Salvador e transmissão online.
A proposta central do ciclo, uma iniciativa da Associação de Pesquisa Iyaleta, é romper com a cobertura que aborda a emergência climática apenas pelo viés da tragédia pontual ou restrita a soluções de conservação natural, articulando a produção científica e as bases de dados públicos diretamente às assimetrias de raça, gênero e território nos municípios.
Para o pesquisador Diosmar Filho, da Associação de Pesquisa Iyaleta, a agenda climática precisa superar o foco exclusivo em métricas de retenção de carbono e reflorestamento para priorizar a vida das pessoas nas cidades.
“As medidas profundas vão muito além da conservação da natureza voltada apenas à retenção de carbono. É preciso colocar a adaptação climática no centro do debate, porque é ela que incide diretamente na vida das pessoas e impede a ampliação das desigualdades. O Brasil produz um volume profundo de dados administrativos, mas eles precisam sair do papel e se tornar instrumentos reais de proteção para as populações vulnerabilizadas”, afirma.
Ao tratar da urgência dessa aplicação prática, Diosmar ressalta que o racismo ambiental opera como uma violência institucional concreta. “O racismo ambiental não é uma ideia abstrata ou apenas uma bandeira de discurso. Ele se materializa como crime institucional na violação sistemática da legislação, na contaminação de territórios e na ausência deliberada de saneamento e abastecimento de água. Em um país de bases racializadas como o Brasil, a ocorrência de eventos climáticos extremos, sejam secas severas ou inundações, aprofunda feridas históricas”, observa Diosmar. O pesquisador explica ainda que a municipalização dos dados serve para orientar planos diretores urbanos e políticas locais capazes de responder às disparidades, com atenção direta às regiões Norte e Nordeste.
Democratizar o acesso a esse corpo técnico de excelência resume o objetivo público da mobilização para as conferências. Diosmar destaca que o Spring Iyaleta cumpre o papel de colocar o conhecimento científico de ponta em diálogo direto com a realidade. “Nosso chamado é para celebrar a primavera do Sul Global, num espaço gratuito, confluente e construído por pesquisadores comprometidos em fornecer subsídios técnicos para que gestores públicos, juventudes e movimentos sociais atuem na transformação e na defesa de suas cidades”, conclui.
Para subsidiar o debate com metodologias formuladas a partir das realidades do próprio Sul Global, a programação reúne cientistas de ponta distribuídos em quatro eixos temáticos. No dia 22 de setembro, o ciclo abre debatendo “Ordenamento Territorial e Geodireito”, com foco na cartografia afro-brasileira, regularização fundiária e territórios quilombolas. Já no dia 23 de setembro, a discussão volta-se para a “Saúde Global”, com análises comunitárias sobre equidade e transformação estrutural contra o racismo e as desigualdades. No dia 24, o foco recai sobre “Clima e Oceanografia”, examinando os dados do Atlântico Sul e do El Niño na deflagração de eventos extremos no Brasil. Por fim, em 25 de setembro, o eixo de “Justiça Reprodutiva” aborda o uso de grandes volumes de dados (big data) para dimensionar os impactos de crises climáticas e violências de gênero sobre meninas e mulheres negras.
Após o ciclo de conferências, as atividades do Spring Iyaleta seguem até dezembro com cursos livres na modalidade EaD (via plataforma Mundo AVA) e ações formativas presenciais nos territórios de Salvador (BA), Lauro de Freitas (BA), Belém (PA) e Tracunhaém (PE).
As inscrições são gratuitas e podem ser realizadas até o dia 16 de setembro por meio do formulário oficial da Chamada Pública 01/2026. Na mesma página, é possível conferir todos os detalhes e a programação completa das atividades. O evento adota um formato híbrido, combinando transmissões online e encontros presenciais no Auditório Yemanjá, do Hub Salvador, no bairro do Comércio, além de sessões realizadas de modo integralmente virtual. A participação remota conta com 400 vagas por sessão, enquanto o acesso presencial é limitado a 50 participantes no local.
Associação de Pesquisa Iyaleta
A Associação de Pesquisa Iyaleta é um Instituto de Ciência e Tecnologia (ICT) e organização observadora da Convenção do Clima da ONU (UNFCCC). A instituição atua na produção de pesquisas multidisciplinares, formação e incidência política para subsidiar ações públicas e combater as desigualdades de raça, gênero, geração e território no Brasil e no mundo.













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