Com a eleição histórica do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no último domingo (25), o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ficará sem cargo público pela primeira vez em mais de 20 anos. Flávio exerceu três mandatos consecutivos na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), de 2003 a janeiro de 2019.�
Desde o início da trajetória política, ele conquistou cargos eletivos na política fluminense na esteira da influência do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Antes de se eleger deputado estadual, há registro de que o filho mais velho de Jair foi funcionário fantasma da Câmara dos Deputados, entre 2000 e 2002. Na época, com 19 anos, ele acumulava ocupações incompatíveis com o cargo de 40h em Brasília: faculdade presencial de Direito e estágio na capital fluminense.
O cargo comissionado próximo ao gabinete de Jair na Câmara foi um dos temas trazidos no episódio “Flavinho de papai”, da série Revelando, apresentado por MC Cabelinho.�
Nas eleições de 2018, quando o pai foi eleito presidente, Flávio alçou a posição de senador da República. O mandato se encerra em 31 de janeiro de 2027. Como não concorreu ao Senado e perdeu a disputa para Lula na presidência, Flávio ficará sem cargo eletivo.
Durante a campanha, Nikolas Ferreira (PL-MG), um dos principais aliados de Flávio, ironizou Fernando Haddad (PT-SP) e Simone Tebet (PSB-SP) nos bastidores do debate presidencial da Band. “Os dois aqui desempregados”, disse.�
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A partir de 1º de fevereiro de 2027, Carlos Portinho (PL) e Carlos Jordy (PL) vão tomar posse para representar o Rio de Janeiro no Senado. Eles se juntam a Romário, senador pelo estado que deixou o PL em agosto de 2026.
Além da carreira na política, Flávio Nantes Bolsonaro, de 45 anos, é formado em Direito e tem registro na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). Ele também é empresário.
Investigado
Flávio é investigado no Supremo Tribunal Federal (STF) por suspeitas de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção. Com a derrota, a expectativa é que o inquérito avance na apuração de possíveis crimes na negociação de R$ 134 milhões com Daniel Vorcaro, do Banco Master, para financiar o filme “Dark Horse”, em homenagem ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
Caso o senador tivesse sido eleito presidente, havia uma possibilidade de arquivamento do caso. A Constituição Federal prevê que, durante o mandato, o chefe do Executivo “não pode ser responsabilizado por atos estranhos ao exercício de suas funções”.
Isso colocaria em dúvida uma eventual denúncia de crimes praticados fora do mandato presidencial. A relação de Flávio com o advogado Willer Tomaz de Souza também é alvo de suspeita. A Polícia Federal (PF) investiga se Tomaz utilizou operações em casas de apostas para lavar dinheiro. Entre janeiro de 2025 e julho de 2026, o advogado apostou R$ 6,6 bilhões e teve prejuízo de R$ 188,5 milhões.
A investigação ganhou novos desdobramentos na reta final da campanha presidencial. Sobre o caso, a campanha de Flávio Bolsonaro afirma que o senador não era formalmente investigado no STF e contestou a existência de vínculo bancário com o advogado ou suas empresas. Em manifestação anterior, Flávio declarou que sua relação com Tomaz é de amizade.
Flávio também nega qualquer irregularidade no financiamento do filme sobre a vida de seu pai. Segundo a PF, parte dos recursos de “Dark Horse” teriam sido desviados para um fundo imobiliário nos Estados Unidos administrado pelo advogado Paulo Calixto, amigo de Eduardo Bolsonaro.













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