O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça suspendeu por 90 dias a aplicação de multas previstas na atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1) sobre riscos psicossociais no trabalho. Apesar da decisão, as empresas continuam sendo obrigadas a prevenir situações de assédio e sobrecarga no trabalho, que afetam a saúde mental do trabalhadores e trabalhadoras.
Com o debate do fim da escala 6×1 e esta atualização na NR-1, o tema sobre saúde mental no trabalho voltou a ser prioritário. Mas, afinal, quais são os primeiros sinais de que, talvez, você esteja em uma relação abusiva com o trabalho?
Em entrevista ao É de Manhã, da Rádio Brasil de Fato, a professora de psicologia Renata Paparelli explica que os sinais podem variar de pessoa para pessoa, mas, de forma geral, aparecem em quadros de cansaço permanente e desmotivação com relação ao trabalho. “Tem essa sensação de estar muito cansado, de não conseguir mais pensar direito, de perder as energias e as forças, a questão da insônia, a dificuldade de desconectar das questões do trabalho”, exemplifica.
Segundo a psicóloga, há um processo de auto-estranhamento. “As pessoas que convivem com você te estranham e você também se estranha. A saúde é caracterizada pela diversidade de afetos que a gente tem. A gente fica triste quando alguma coisa triste acontece, temos raiva quando uma coisa irritante acontece. Muitas vezes a pessoa adoecida é como se estivesse aprisionada por um afeto só. Qualquer coisa gera tristeza, qualquer coisa gera medo”, afirma.
Após identificar os sintomas, é importante buscar compreender o que está causando esse quadro. Paparelli destaca a importância do “direito à desconexão”, que auxilia nos momentos de lazer e de descanso.
A psicóloga avalia que a NR-1 abre uma “janela de oportunidades para entender o que já acontece há algum tempo”. Além disso, ressalta que a iniciativa desmistifica o debate e faz com que mais casos apareçam.
“A gente precisa louvar o fato de estarmos olhando para isso. O cuidado com a saúde mental do trabalhador é responsabilidade da empresa. Isso é importante ser dito. E a outra coisa é que não é sobre a saúde mental da pessoa, mas sobre as condições de trabalho”, pontua.
Paparelli também pondera que nem sempre a exaustão advém de um trabalho insatisfatório. Muitas vezes o trabalhador gosta do que faz, mas mesmo assim se vê inserido em quadro de estafa. “É mais fácil entender aquele trabalho do ‘manda quem pode, obedece quem tem juízo’ como penoso, que tem o chefe, tem um monte de normas e exigências. Esse é mais fácil de entender. O mais difícil de entender é esse outro que captura as pessoas pela sedução”, explica.
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