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Representantes gaúchos marcam presença na seleção do Festival do Rio

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Recém-findo, o Festival de Cinema de Gramado de 2026, mais uma vez, acabou sendo uma janela fraca para o audiovisualproduzido no Rio Grande do Sul. Novamente, nenhum título em longa-metragem foi selecionado para as mostras nacionais de ficção e documentário.

No entanto, a divulgação dos eleitos para o Festival do Rio nesta quinta-feira (27) foi no sentido exatamente contrário. Mesmo se considerando que o evento carioca tem um número ampliado de sessões, os ânimos entre as produtoras locais foram renovados com o anúncio. São diversos títulos com representantes gaúchos em diferentes mostras da Première Brasil, com exibições a serem realizadas de 1º a 11 de outubro, por toda a cidade do Rio de Janeiro.

A maior e mais importante vitrine do cinema nacional e uma das principais atrações do Festival do Rio escolheu 101 filmes brasileiros para a sua 28ª edição, entre um total de quase 1,5 mil longas e curtas-metragens inscritos. Os  filmes compõem um amplo panorama da produção audiovisual brasileira, reunindo diferentes narrativas, linguagens, gêneros e modos de produção, refletindo a vitalidade e a diversidade criativa do cinema realizado no país.

A programação aproxima cineastas consagrados e novos talentos, reafirmando a capacidade do cinema brasileiro de se renovar, experimentar e ampliar suas formas de representar o Brasil, e o compromisso do Festival do Rio de promover a diversidade da produção nacional, revelar novas vozes e fortalecer o encontro entre os filmes e o público.

Longa da Vulcana, ‘Talismã’ participa da Mostra Novos Rumos do Festival do Rio | Crédito: André Luiz de Luiz / Divulgação

Marcando presença no evento nos últimos anos, a produtora porto-alegrense Vulcana Cinema entrou com dois títulos na seleção. “O Festival do Rio tem sido como uma segunda casa para a Vulcana, muitos dos nossos filmes começaram sua jornada por lá, além de ser um dos festivais mais prestigiados do Brasil. Nós ficamos muito honradas com a seleção, entre 1.500 obras inscritas, não é pouca coisa! Então, é com muita alegria que levamos o longa ‘Talismã’, de Thais Fujinaga, e a série ‘Amora’, de Juliana Rojas, ao público pela primeira vez. São duas obras filmadas em Porto Alegre e Guaíba, que acreditamos ter o potencial de tocar plateias muito além daqui; que o Festival do Rio seja apenas o primeiro passo desse caminho”, comemora Paola Wink.

Adaptada do premiado livro homônimo de Natália Borges Polesso, a dramédia em quatro episódios para o Canal Brasil terá a estreia de seu primeiro capítulo na Mostra Séries. Já o drama que traz como protagonista uma mãe solo dividida entre dar aulas de dança e cuidar da filha terá sua premièremundial na mostra de longas Novos Rumos – da qual “Uma em mil”, também do RS, saiu vencedor no ano passado. O longa dos irmãos Rubert, aliás, acabou de ser premiado pelo Júri Popular e Melhor Fotografia no Guarnicê de Cinema do Maranhão.

Outra produção de um gaúcho integrante desta seleção é “Malick”, de Cassio Tolpolar e Modou Awa Dieye, inspirado em um episódio verídico da vida do artista e produtor cultural senegalês. “Ser selecionado para um festival tão importante como o do Rio de Janeiro é como presenciar o nascimento de um filho cuja gestação durou muito mais que nove meses e foi árdua, mas muito satisfatória. ‘Malick’ foi produzido da mesma maneira que o conteúdo: um filme sobre diálogo composto por uma equipe multicultural e multirracial, formada por brasileiros e imigrantes africanos. O elenco é composto por uma mistura de atores brasileiros e senegaleses. Modou Awa Dieye, que interpreta Malick e cuja história serve de base para o filme, também foi co-roteirista e co-diretor”, diz Tolpolar.

A competição de longas de ficção terá a estreia nacional de “London”, de Victor Di Marco e Márcio Picoli, que tem première mundial em Veneza nos próximos dias (saiba mais na entrevista com um dos diretores aqui). A obra teve seu trailer em português divulgado nesta sexta-feira (28), mesma data em que ganhou matéria na revista internacional Variety, sendo comparada com o trabalho do autor canadense David Cronenberg.

Uruguaia Verónica Perrotta volta a trabalhar com Cristiane Oliveira em ‘Ela Foi Ali Guardar o Coração na Geladeira’ | Crédito: Bruno Polidoro / Divulgação

Ainda na concorrência há o novo longa da cineasta Cristiane Oliveira, “Ela Foi Ali Guardar o Coração na Geladeira”. Os realizadores já mostraram seus filmes anteriormente no evento.�

“É uma alegria voltar ao Festival do Rio, que dez anos atrás acolheu a estreia do meu primeiro longa, com um filme que tem as mesmas atrizes: a gaúcha Maria Galant e a uruguaia Verónica Perrotta – premiada naquele ano com o Redentor de Melhor Atriz Coadjuvante, por ‘Mulher do Pai’. Desta vez, em codireção com Gustavo Galvão e com parceiros de outras produções, como Adriana Borba (na arte), Tula Anagnostopoulos (na montagem) e Bruno Polidoro (na fotografia), abordamos um fato ocorrido na ditadura civil-militar brasileira que envolve minha cidade, Porto Alegre, em filme-ensaio ficcional”, conta a diretora.�

A terceira produção gaúcha na mostra principal é o mais recente longa da produtora porto-alegrense Otto Desenhos Animados. Com roteiro da baiana Carla Guimarães, “O Filho da Puta”, de Erica Maradona, Tania Anaya, Otto Guerra e Sávio Leite, estreou na Europa, em Zagreb (Croácia).�

O longa ainda foi selecionado para a Competição Oficial do Festival Internacional de Animação de Ottawa OIAF, que comemora em setembro de 2026 sua 50ª edição, porém não entrou na competição de Gramado neste ano, apesar de ter sido exibido na França (no Festival de Annecy, o principal e mais antigo festival de animação do mundo), Espanha, Alemanha e convidado pro Marché du Film de Cannes.�

Na história que se passa nas entranhas de Minas Gerais (estado da coprodutora Anaya Produções), funciona a Casa Rosa, famoso prostíbulo gerenciado pela mãe de Ismael, conhecido por todos como “O Filho da Puta”. No intuito de encontrar o pai que nunca conheceu, ele parte de sua pequena cidade na companhia de seu cachorro, Bacalhau. �

Confira a lista completa das obras selecionadas no site do Festival do Rio.

RS: um celeiro de grandes talentos do audiovisual

Diretor de doc sobre a porta-bandeira Squel, Zeca Brito conta que optou pela relação direta com a câmera | Crédito: Arquivo pessoal

Na mostra Retratos da Première Brasil,enfim, será a primeira exibição de “Squel – Confissões de uma porta-bandeira”, de Celina Torrealba e Zeca Brito, que estrearam o projeto anterior também no Rio de Janeiro. “Vivemos uma emoção muito grande, pois é um filme muito aguardado, que reúne grandes afetos e parceiros de vida, e quatro anos de preparação. Dividi a direção com Celina Torrealba, que havia sido produtora de ‘Arte da Diplomacia’, e dividimos também o nosso amor pelo Carnaval. Eu e Celina dividimos o roteiro com Renato Dornelles, que entende muito do assunto. Foi um processo bastante complementar, onde optamos pela relação direta com a câmera, ambos os diretores são também fotógrafos do filme”, relata o diretor.�

Brito lembra que, também neste longa, o décimo de sua carreira, aos 40 anos, retomou a parceria com o montador Jardel Hermes, com o fotógrafo Bruno Polidoro e com os produtores Frederico Ruas e Sérgio Torrealba: “Somou-se ao projeto a produtora Suzana Villas Boas, que sempre admirei e enfim temos uma história juntos. Todos unidos por nossa admirável protagonista, Squel Georgea, que é uma das maiores artistas deste país e agora terá sua biografia ao alcance do grande público”.

E, pela segunda vez, o nome do caxiense Bruno Polidoro aparece na matéria. Em 2026, além de assinar a direção de fotografia de  “Ela Foi Ali Guardar o Coração na Geladeira”, “London” e “Malick”, seu trabalho é igualmente a referência visual do curta “Consolo”, de Johnny Massaro.

Assim como teve uma participação em “Squel”, ele também está nos créditos de “Ney por trás das máscaras”, de Esmir Filho. “Dois longas que fiz justamente as diárias durante o Carnaval, mas não sou o fotógrafo principal”, esclarece Polidoro.

Depois das seis marcas na Fotografia, há um outro profissional do estado a ser destacado, mas agora no som. Dizem por aí que Tiago Bello é o gaúcho mais mineiro do audiovisual brasileiro, assinando há anos essa importante categoria dos títulos da Filmes de Plástico (MG). É dele o incrível – e indispensável para a incômoda e angustiante narrativa proposta por Grace Passô – trabalho sonoro (Desenho, Mixagem e Pós-Produção) de “Nosso Segredo”, atual vencedor de Gramado e postulante a representante do país no Oscar.�

Sua produtora, a Gogó Música e Som, já havia tido cinco trabalhos selecionados na  Première Brasil do Rio no ano passado. E, neste ano, igualou o número.�

Além do longa “Talismã” e da série “Amora” (produções da Vulcana Cinema, empresa com a qual costuma atuar em parceria), tem ainda “Vicentina Pede Desculpas”, de Gabriel Martins, outro candidato do Brasil para o Oscar, este, grande favorito. “E mais dois curtas na competição: um se chama ‘A Casa de Dona Carlota’ (MyMama Entertainment, SP/RJ), de Lili Fialho e Bruna Linzmeyer. A Rita Zart, da Gogó, também fez a música deles. E o outro é ‘Reteté’, de Donna Oliveira, que é da Pique-Bandeira Filmes, do Espírito Santo”, explica Bello.�

Ou seja, atuando dentro ou fora do estado, em parceria com outros cineastas ou produtoras, os profissionais do Rio Grande do Sul estão dando show no audiovisual brasileiro também internacionalmente, porém carecendo de algum reconhecimento local, em certas ocasiões.





Com Informações: Brasil de Fato

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