Entre os debates sobre inovação, tecnologia e futuro que marcaram o Rio Innovation Week 2026, o Finapop (Financiamento Popular da Agricultura Familiar) participou de uma conversa sobre um tema essencial para qualquer transformação no campo: como financiar quem produz os alimentos que chegam à nossa mesa?�
Nosso diretor executivo, Luis Costa, participou da mesa “Quem Financia o Futuro? Bancos, Fundos e Inovação para Quem Produz Alimentos”, ao lado de Tereza Campello, diretora Socioambiental do BNDES e ex-ministra do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, e Tião Viana, membro do Conselho Gestor, ex-senador e ex-governador do Acre.�
A pergunta que deu nome à mesa ajuda a deslocar o debate. Mais do que discutir quanto dinheiro está disponível ou quais instituições podem financiar a produção, é preciso perguntar quem consegue acessar esses recursos, em quais condições e para viabilizar quais projetos. Afinal, financiar não é uma decisão neutra: é também escolher quais formas de produzir no campo terão condições de crescer de forma sustentável.
No caso da agricultura familiar e da produção de alimentos, essa discussão ganha uma dimensão ainda maior. Financiar quem produz significa criar condições para que cooperativas e organizações possam investir, ampliar sua capacidade produtiva, agregar valor aos produtos, enfrentar riscos e construir alternativas mais sustentáveis para seus territórios.�
A experiência do Finapop parte justamente da realidade do campo e das necessidades concretas das cooperativas da reforma agrária e da agricultura familiar. A inovação está também na forma de estruturar o crédito: ao aproximar investidores comprometidos com a transformação social de quem produz alimentos, a iniciativa busca construir instrumentos financeiros adequados aos ciclos da produção e às condições dos territórios. Assim, amplia-se o acesso a recursos para financiar a produção diversificada, fortalecer a transição agroecológica e gerar desenvolvimento local.
Essa perspectiva mostra que o financiamento vai muito além de uma operação financeira. O destino do dinheiro também define quais possibilidades serão abertas. Quando os mecanismos de crédito são construídos de acordo com as características e necessidades de quem produz, eles podem fortalecer modelos sustentáveis de produção, organizações coletivas e economias locais.�
Mas existe outro desafio: produzir alimentos também significa lidar com riscos que nem sempre podem ser previstos ou controlados.
As mudanças climáticas já afetam diretamente a produção, a renda e a infraestrutura de muitas cooperativas. E é justamente nesse ponto que o debate sobre inovação ganha outro significado.�
Quando se fala em inovação, a primeira associação costuma ser com tecnologia: novas ferramentas, inteligência artificial, máquinas ou processos. Mas, para quem produz alimentos, inovar também significa encontrar novas maneiras de financiar, organizar e proteger a produção, especialmente diante de riscos que os instrumentos financeiros tradicionais nem sempre conseguem absorver.�
As contribuições trazidas à mesa também evidenciaram que financiar esse futuro não é tarefa de uma única instituição. Depende da articulação entre políticas públicas, bancos públicos, fundos, investidores e organizações da agricultura familiar. A combinação dessas iniciativas é fundamental para ampliar o acesso aos recursos e construir respostas compatíveis com as necessidades e os riscos enfrentados por quem produz.�
Criar mecanismos financeiros mais adequados às realidades dos territórios é, portanto, parte fundamental dessa agenda de inovação. Isso exige aproximar investidores, instituições financeiras e organizações produtoras, criando mecanismos que permitam que o capital chegue a iniciativas com potencial de gerar impacto econômico, social e ambiental.�
O futuro da alimentação não depende apenas de quem planta, colhe, beneficia e distribui. Depende das condições que a sociedade cria para que essas pessoas e suas organizações cooperadas continuem produzindo, enfrentem as mudanças climáticas e transformem seus territórios.�
Por isso, perguntar quem financia o futuro é também perguntar: que futuro queremos financiar?�
*Luis Costa é diretor-executivo do Finapop; Maura Silva é integrante da equipe de comunicação.
**Este é um artigo de opinião e não necessariamente representa a linha editorial do Brasil do Fato.













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