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Quando o ataque não é no futebol: a tensão do Irã na Copa dos Estados Unidos

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Quando pensamos em uma Copa do Mundo, normalmente pensamos em festa, torcedores viajando, celebração entre diferentes povos. Mas este não é o caso.

Em 28 de fevereiro de 2026, a autoridade máxima do Irã foi assassinada num ataque dos Estados Unidos. Alguns meses depois, como deve ser para os iranianos jogar a Copa no país que bombardeia e ataca o seu?

Os Estados Unidos é o anfitrião hostil e o Irã tem sido tratado como o convidado indesejado. Esta Copa do Mundo já está produzindo algumas das situações mais esquisitas da história do futebol.

O Irã está indo para sua quarta Copa consecutiva. Mas nesta existe esse “detalhe” de jogar num país com o qual as relações diplomáticas estão rompidas. Não existem embaixadas e não há diálogo desde a Revolução Iraniana de 1979. A situação ainda se agravou muito mais com os conflitos e ataques militares que aconteceram recentemente.

E o conflito político afetou a questão esportiva, com dificuldades surgindo antes mesmo de a bola rolar. Houve impasses envolvendo vistos para representantes iranianos e, com muita dificuldade, uma parte da delegação conseguiu participar dos sorteios para montar os grupos e chaveamentos.

Foi negada a possibilidade dos atletas se hospedarem nos Estados Unidos durante a Copa, forçando-os a se alojarem no México, fazendo viagens de avião indo e voltando no mesmo dia dos seus jogos. Donald Trump chegou a “aconselhar” publicamente a seleção iraniana a não participar do torneio por questão de segurança.

E é óbvio que, diante disso, a Federação Iraniana discutiu a possibilidade de não participar da Copa, mas repensou e solicitou que os seus jogos acontecessem no México ou no Canadá — o que lhes foi negado. Todos os jogos deles na fase de grupos acontecem nos Estados Unidos, sendo um em Seattle e dois em Los Angeles. Diante de tudo, o presidente da Fifa negou o pedido de alteração sob a justificativa de que “temos que nos unir, temos que nos aproximar, e o futebol une o mundo”.

Houve determinação de bloqueio total na emissão de vistos para os torcedores iranianos entrarem nos EUA. Então, a única esperança de presença da torcida está no fato de que Los Angeles é casa de mais de 500 mil iranianos e descendentes, formando a “Pequena Pérsia”, uma das maiores comunidades iranianas fora do Irã. Mas este não é um cenário para que se celebrar a “integração”, porque não há nada de hospitaleiro ou receptivo nesta realidade.

Quando duas nações vivem décadas de hostilidade, o futebol consegue realmente criar pontes? Ou o campo só expõe conflitos que já existem fora das quatro linhas?

Não estamos falando de uma rivalidade esportiva, de uma seleção que passa por dificuldades ao ir jogar no campo de um adversário que dificulta sua participação. Estamos falando de um país enviando seus atletas para competir dentro do território de uma potência com a qual não mantém relações diplomáticas há mais de 40 anos e contra a qual está em guerra.

Esse assunto está longe de ter a atenção que merecia, tanto da FIFA quanto da mídia hegemônica. E, nesse cenário, me surpreendeu a declaração do presidente da Federação Iraniana: “É improvável que possamos olhar para a Copa do Mundo com esperança. Nenhuma potência externa pode privar o Irã de participar de uma Copa para a qual se classificou por mérito”.

E é justamente por isso que a presença do Irã será uma das histórias mais simbólicas da Copa do Mundo de 2026. Mesmo com toda a postura do país-sede e da Fifa para inviabilizar sua participação, eles escolheram estar lá e esse também é um ato de resistência.





Com Informações: Brasil de Fato

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