O Irã “não pode continuar em guerra para sempre”, afirmou o presidente Masoud Pezeshkian, em meio a sinais de divergências crescentes na liderança iraniana sobre as negociações com os Estados Unidos.
Durante dois eventos em Teerã neste domingo (23), Pezeshkian defendeu o memorando de entendimento que o Irã firmou com os Estados Unidos em junho, apesar das supostas ressalvas do Líder Supremo do Irã, Mojtaba Khamenei.
“Um dia, será preciso tomar uma decisão para salvar o país do estado de ‘nem guerra nem paz’”, disse Pezeshkian.
Pezeshkian afirmou que todos os envolvidos diretamente nas negociações acreditavam que o memorando representava o melhor caminho a seguir.
“Ao implementar esse memorando, podemos resolver os problemas com lógica e dignidade”, disse ele, em declarações divulgadas pela agência de notícias estatal IRNA.
O acordo fracassou no mês passado.
O presidente iraniano tem alertado frequentemente para as consequências econômicas e sociais do conflito com os Estados Unidos, o que, por vezes, o coloca em desacordo com figuras da liderança que defendem uma linha mais dura.
“Devemos estar ao lado do povo. Se não pudermos servi-lo e convencê-lo de que todos pertencemos à mesma terra e ao mesmo país, então, mesmo que detenhamos o maior poder militar, seremos derrotados”, disse ele neste domingo.
Ele também afirmou que o governo estava se empenhando ao máximo para “conduzir a inflação, os problemas públicos, o sustento, os empregos, o futuro e a vida da população rumo à dignidade e ao orgulho”.
Em uma de suas aparições, Pezeshkian esteve acompanhado pelo aiatolá Seyyed Hassan Khomeini, neto de Ruhollah Khomeini, o fundador da República Islâmica.
“Às vezes, um compromisso sensato pode alcançar mais do que centenas de guerras”, disse Khomeini.
Analistas observam um debate crescente na liderança sobre como lidar com o conflito com os Estados Unidos: alguns sugerem que o Irã deveria negociar a partir de uma posição de força antes que a crise econômica se agrave ainda mais, enquanto setores de linha-dura do aparato de segurança continuam a rejeitar o diálogo.













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