O sistema de governo no Brasil é formado por três Poderes e, embora haja centralidade na figura do presidente da República, ele não consegue governar sozinho. Além de estar submetido ao controle constitucional do Judiciário, é preciso que ocorra uma articulação política com o Congresso.
Desde a ascensão da extrema direita no Brasil, com a chegada de Jair Bolsonaro à presidência, tanto a Câmara como o Senado viram seus quadros se encherem dos chamados outsiders ou ícones da “nova política”, que, em sua maioria, estão alinhados com o campo conservador e de direita.
Por isso, as eleições deste ano impõem um desafio ao campo progressista: promover uma renovação real no Congresso. E, dentro dessa estratégia, a esquerda, que encontrou muitas dificuldades de aprovar pautas pela resistência e oposição no Senado, colocou seu foco em garantir a eleição de senadores.
Para José Genoino, ex-presidente do PT, o partido acerta em investir nessa estratégia, considerando que a extrema direita está fazendo o mesmo: colocando seus melhores quadros para disputar as 54 vagas no Senado este ano. A casa terá renovação de dois terços dos parlamentares.
“A eleição para o Senado é majoritária, mas ela está vinculada à eleição majoritária para o governo e para presidente. Fazer campanha para o Senado apenas não tem eficácia. Você precisa fazer uma eleição casada, assim como para deputado federal e estadual”, avalia ao videocast Três por Quatro desta terça-feira (23). “O parlamento é o palco da ofensiva da direita. Ela está dando golpe por dentro das instituições”, aponta.
Genoino também destaca a crise de legitimidade do sistema político atual. “O sistema eleitoral na democracia liberal, produto da constituinte de 1988, perdeu a funcionalidade com o golpe de 2016 [contra a ex-presidenta Dilma Rousseff (PT)], com a eleição do inominável [Jair Bolsonaro] e com as emendas de ordem econômica de Fernando Henrique Cardoso. O papel do Senado, como a casa dos estados, a casa revisora, tem uma herança oligárquica, porque a Câmara inicia o processo legislativo e o Senado revisa. Só que leis podem se originar do Senado, e isso é uma deformação. Porque o sistema que elege senadores é majoritário e o que elege deputados é proporcional. Há uma confusão entre a função da Câmara e a do Senado”, explica.
Nádia Campeão, presidenta do PCdoB, comenta a estratégia dos chamados “puxadores de voto” e lembra que cada estado vivencia uma realidade e precisa ser analisado caso a caso. Porém, não se pode perder nenhuma oportunidade de conquistar vaga no Senado.
“É preciso examinar o quadro político com muito realismo e buscando uma vitória. Nós pensamos que temos que buscar uma vitória, de preferência com duas candidaturas ou com dois senadores ou senadoras eleitos claramente do campo democrático, de um campo progressista”, defende e acrescenta que, em cenários de inviabilidade de uma candidatura à esquerda, é preciso avaliar, sim, uma aliança”, defende.
“Acho válido que se faça uma aliança com alguma outra candidatura que seja, pelo menos, de um campo de centro, para que possamos contar com uma presença no Senado de senadores ou senadoras permeáveis e sensíveis à pressão política e à pressão popular, que considerem importante prestar contas à população e ao eleitorado sobre seu comportamento e seus votos no Senado”, afirma.
Genoino reforça que toda a estratégia precisa ter como norte o projeto principal, que é a reeleição de Lula. Na sequência, fazer uma bancada forte na Câmara e no Senado. Nesse sentido, há algumas figuras que já têm mandatos e que, analisando caso a caso, o ideal seja se manter no jogo mais garantido, ainda que alterando a eleição que se pretende disputar. Um dos exemplos, na avaliação dele, é o do senador Randolfe Rodrigues (PT), que aparece em terceiro lugar no Amapá, atrás de Rayssa Furlan (Podemos) e Lucas Barreto (PSD).
“O Randolfe pode puxar a fila de candidatos a deputado federal. Agora, ele vai correr o risco de ficar sem mandato na crise que nós estamos vivendo. Ficar sem mandato é um problema. Vamos deixar claro. Nós não podemos ficar sem mandato. Eu acho que ele devia avaliar bem e ser candidato a deputado federal, puxando a lista de deputados federais e estaduais”, analisa.
Confira o programa completo abaixo:
Para ver e ouvir
O videocast Três Por Quatro vai ao ar toda terça-feira às 15h ao vivo no YouTube e nas principais plataformas de podcasts, como o Spotify.













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