As Ligas Camponesas do Pará conquistaram o reconhecimento de anistiadas políticas pela Comissão de Anistia. O requerimento foi aprovado por unanimidade nesta quinta-feira (5). O pedido foi feito pela organização Memorial das Ligas Camponesas, pela Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura, pela Defensoria Pública da União e outras organizações do campo.
Formadas por trabalhadores rurais que lutavam por reforma agrária e melhores condições de vida, as Ligas Camponesas foram alvo de perseguições, torturas, desaparecimentos forçados e assassinatos, entre 1979 e 1988, segundo documento apresentado à Comissão de Anistia.
O documento detalha o conflito ocorrido na Gleba Cidapar, região do Alto Guamá, no nordeste da Pará.
A peça detalha que o local foi palco de um “movimento de resistência de camponeses, posseiros, trabalhadores rurais, quilombolas e indígenas contra a violência de empresas e pretensos proprietários rurais e agentes do Estado”.
Os colonos defendiam o direito à terra e à subsistência de suas famílias. E os indígenas lutavam contra invasões na Terra Indígena do Alto Guamá.
Entre 1980 e 1984 foram registrados 222 casos de violência na região, os quais resultaram na morte de pelo menos 108 trabalhadores rurais e lideranças sindicais do campo. Mas a violência não ficou restrita ao período final da ditadura, se estendendo por todo o governo de transição de José Sarney.
Para as organizações de trabalhadores do campo, a concessão de anistia coletiva é uma forma de justiça e reparação para centenas de camponeses impactados pelos crimes e pela violência da época.
“Uma decisão que representa muito mais do que um reconhecimento institucional. É um passo fundamental na luta por memória, verdade, justiça e reparação pelas violações de direitos humanos contra trabalhadoras e trabalhadores do campo que tiveram suas vidas atravessadas pela perseguição, pela violência e pela repressão”, defende o Memorial das Ligas Camponesas.
“A luta das Ligas Camponesas não terminou. Ela permanece viva nas comunidades, nas famílias, nas histórias que resistiram ao silenciamento e nas novas gerações que seguem cultivando a memória daqueles e daquelas que lutaram por terra, dignidade e direitos. A unanimidade de hoje não apaga as violências do passado, mas reafirma que essas histórias não serão esquecidas”, complementa a organização.













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