A necessidade de mais tempo para a conclusão da perícia nos dispositivos eletrônicos apreendidos no âmbito da operação Vectura Corrupta motivou o pedido de prorrogação da prisão temporária do ex-vereador Milton Leite e outros 12 investigados.
A ação foi deferida pelo Tribunal de Justiça de São Paulo, que também renovou os mandados de captura para outros três suspeitos que continuam foragidos
O magistrado também rejeitou os argumentos apresentados pelas defesas, que solicitavam a revogação das prisões ou a aplicação de medidas cautelares alternativas.
Segundo documento obtido pela CNN Brasil, a investigação considerou o prazo inicial de 30 dias insuficiente para processar e analisar o expressivo volume de documentos, mídias de armazenamento e aparelhos telefônicos apreendidos no início da operação.
Além disso, a maioria dos celulares apreendidos está protegida por senhas complexas e criptografia de alto nível, demandando o envio dos equipamentos à Unidade de Inteligência Policial do DEMACRO para quebra técnica e extração de informações.
A Polícia Civil e o Ministério Público de São Paulo também argumentam que a soltura dos investigados antes da conclusão do trabalho pericial traria o risco concreto do acionamento de comandos de segurança, revogação de chaves criptográficas e eliminação remota de dados e arquivos armazenados em nuvem.
Ainda de acordo com o despacho, a realização dos interrogatórios formais pressupõe a consolidação prévia dos relatórios técnicos para que os investigados possam ser confrontados diretamente com os diálogos e outras informações extraídas dos dispositivos apreendidos.
A decisão também determinou que os mandados tramitem sob sigilo temporário no sistema nacional de prisões e ordenou prioridade máxima na conclusão dos relatórios periciais pela unidade de inteligência policial.
O ex-vereador Milton Leite se entregou à polícia na Dise de Mogi das Cruzes, na Região Metropolitana de São Paulo, no dia 18 de setembro, e está preso temporariamente desde então.
Ele é investigado na operação Vectura Corrupta que apura a infiltração do PCC (Primeiro Comando da Capital) no poder público e no sistema de transporte coletivo da capital paulista.
Por meio de nota, a defesa de Milton Leite afirma que confia na Justiça e no prosseguimento das investigações para o pleno esclarecimento dos fatos.
Ligação de Milton Leite
Segundo as investigações, Milton Leite é citado nominalmente por diversas vezes como responsável direto pela operação de algumas das empresas de ônibus controladas pelo PCC.
De acordo com o Ministério Público, há declarações de policiais militares em procedimento junto ao Tribunal de Justiça Militar, que afirmam que ex-vereador seria o dono de fato da empresa Transwolf.
Após se entregar, Milton Leite negou ter envolvimento com o PCC e afirmou que provará sua inocência no âmbito do inquérito que investiga sua participação no esquema.
Além de Milton Leite, também estão entre os presos Levi dos Santos Oliveira, ex-presidente da empresa SPTrans, Júlio Salvador Filho; Claudionor Aparecido Sabino Tomaz; Carla de Paula Muller, esposa de “Granada”, do PCC; Edivania Arruda Botelho Alves; André Cassali; José Ronaldo Alves de Sales; Edson Antonio de Souza; e Danilo Marco Morgado Silva, candidato a deputado estadual pelo PL (Partido Liberal).













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