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Otan reforça apoio à Ucrânia e Rússia alerta para risco de escalada da guerra

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A Cúpula da Otan, realizada nesta semana, teve a guerra da Ucrânia como um dos principais temas, em meio à escalada do conflito com a Rússia. Durante o evento, Volodymyr Zelensky conseguiu garantir mais apoio militar e financeiro da aliança militar ocidental, enquanto Moscou alertava para os riscos de uma intensificação do conflito no caso de interferência externa na guerra.

Na declaração conjunta da cúpula, nos dias 7 e 8 de julho, em Ancara, na Turquia, os países da aliança militar ocidental destacaram que a Rússia representa uma “ameaça de longo prazo à segurança e à estabilidade euro-atlânticas” e afirmaram que “permanecem unidos em seu apoio inabalável à Ucrânia”, confirmando o fornecimento de 70 bilhões de euros em equipamentos militares, assistência e treinamento a Kiev.

Em entrevista ao Brasil de Fato, o professor de Relações Internacionais da UFRJ, Fernando Brancoli, aponta que, no plano discursivo, o objetivo principal da cúpula foi buscar sustentar uma ideia de “integração” do grupo em meio aos movimentos oscilantes do presidente dos EUA, Donald Trump, em relação ao bloco.

“Tanto Donald Trump como lideranças da Alemanha e da Itália reforçaram que seria um momento bom, em que há uma certa confluência de objetivos, algo que difere bastante do que a gente viu nos últimos meses, em que os Estados Unidos acusavam principalmente os países europeus de não contribuírem o suficiente para a aliança”, afirmou.

Um dos principais resultados da reunião foi justamente um aceno de maior inclinação dos EUA aos interesses da Ucrânia no contexto da guerra com a Rússia. Em particular, Donald Trump prometeu conceder à Ucrânia uma licença para produzir mísseis interceptores para o sistema de defesa aérea Patriot, algo que Kiev vinha buscando há meses.

Ao comentar a posição da Casa Branca, o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, afirmou que não é novidade o fato de que os EUA apoiam a Ucrânia. No entanto, ele destacou que Trump envia sinais ambíguos sobre o conflito.

“Os EUA continuam fornecendo armas e tecnologia à Ucrânia, além de pessoal militar. Isso é verdade, nós sabemos. Não estamos sendo ingênuos; o presidente Putin sabe disso perfeitamente bem. Mas, ao mesmo tempo, há uma certa ambiguidade na posição dos Estados Unidos. Ao mesmo tempo, os Estados Unidos, diferentemente dos europeus, mantêm o desejo de facilitar o processo de paz. Eles podem estar enganados às vezes, mas esse desejo nos parece sincero”, afirmou.

A percepção da Rússia sobre a oscilação de Donald Trump em relação ao conflito ucraniano também não é uma novidade. A cúpula em Anchorage, no Alasca, entre Vladimir Putin e Donald Trump, em agosto de 2025, fez nascer no espaço político e midiático russo a expressão “espírito de Anchorage”, para manifestar um otimismo sobre as negociações – e as possíveis intenções mais favoráveis a Moscou por parte de Trump.

No entanto, as conversações entre Putin e Trump sobre a resolução do conflito não trouxeram resultados concretos e o que se viu posteriormente foi a adoção de novas sanções dos EUA contra a Rússia, e, agora na cúpula em Ancara, um aceno positivo de Trump ao líder ucraniano, Volodymyr Zelensky.

Por outro lado, mesmo com o anúncio de reforço econômico e militar à Ucrânia, durante a cúpula, o professor de Relações Internacionais Fernando Brancoli observa que há uma dificuldade prática sobre a capacidade da Ucrânia de produzir os sistemas de defesa dos EUA em seu território a curto prazo.

Segundo ele, essa declaração de Trump implica em dois problemas: “Esses mísseis não ficariam prontos tão cedo, então a gente teria, caso os EUA substituíssem efetivamente o envio de armamento pronto para garantir a produção, uma complicação de um período, uma janela de pelo menos dois anos em que a Ucrânia ficaria sem esses mísseis, que são bastante importantes”.

“E o segundo ponto é em relação a qual seria a disposição estadunidense de colocar uma indústria sensível, com material muito estratégico, tão próximo da fronteira russa?”, indaga o analista.

Alerta da Rússia

O reforço de apoio à Ucrânia durante a cúpula da Otan ocorre em um momento de escalada da guerra. Por um lado, a Rússia vem aumentando o número de ataques massivos de mísseis e drones contra a capital Kiev, e, do outro, a Ucrânia aumenta os ataques de drones contra o setor energético russo.

Na visão de Moscou, o crescente auxílio militar em larga escala da Otan à Ucrânia “não apenas bloqueia uma resolução pacífica, mas também envolve diretamente os Estados-membros da OTAN no atual conflito armado”.

O Ministério das Relações Exteriores da Rússia emitiu um comunicado na última quinta-feira (9), afirmando que os “planos aventureiros” do Ocidente de contínuo apoio militar a Kiev “não passarão despercebidos por Moscou”. De acordo com representantes da chancelaria russa, citados pelo jornal russo Izvestia, “qualquer agressão contra a Federação Russa será respondida com uma reação decisiva e destrutiva”.

O tom de alerta de Moscou em relação ao reforço do apoio ocidental à Ucrânia também foi manifestado pelo porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, que classificou que há na Casa Branca algumas “ideias equivocadas” em relação aos desdobramentos do conflito ucraniano. De acordo com ele, uma intensificação das ações ucranianas na guerra levará a Rússia a alterar sua estratégia em relação ao que Moscou entende como necessário para garantir a sua segurança.

“Observamos algumas ideias equivocadas dentro da administração da Casa Branca. A ideia equivocada de que a escalada, a pressão militar, pode facilitar uma resolução pacífica […] uma escalada ainda maior provavelmente prolongará a operação militar especial. Não podemos dizer exatamente em que medida, mas isso nos levará a ter que criar uma zona de segurança maior, uma zona tampão maior. Portanto, o aumento das tensões, agir de acordo com a escalada, não contribuirá de forma alguma para o processo de paz”, afirmou.

Os resultados da cúpula da Otan também revelam uma contradição aparente em relação ao reforço do apoio a Kiev e à ambígua posição dos EUA. Ao mesmo tempo em que a aliança militar ocidental classifica a Rússia como uma “ameaça de longo prazo”, o presidente Donald Trump retirou a Rússia da classificação de ameaça em sua mais recente doutrina de política externa.

Nesse sentido, a posição da Otan segue inalterada na visão de Moscou, mas os próximos passos do presidente estadunidense seguem em disputa. De acordo com o professor de Relações Internacionais da UFRJ, Fernando Brancoli, há uma manutenção das acusações que Putin vem fazendo em relação à aliança ao longo dos últimos anos, declarando que a Otan “não é um coletivo defensivo de países, mas uma coligação de Estados antagônicos à Rússia, que continua um processo de expansão”.





Com Informações: Brasil de Fato

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