Um ano depois de transformar a energia das festas de aparelhagem do Pará em disco, Gaby Amarantos comemora os caminhos abertos por “Rock Doido”. Lançado em agosto de 2025, o álbum chegou ao primeiro aniversário acumulando prêmios, novos desdobramentos e uma celebração especial nos palcos.
Nos bastidores do show realizado em São Paulo para marcar a data, a cantora conversou com o Bem Viver, programa do Brasil de Fato, sobre o reconhecimento conquistado pelo projeto e sobre a importância de afirmar a música produzida na Amazônia como parte central da cultura brasileira.
“Eu só tenho a agradecer. O ‘Rock Doido’ foi o álbum brasileiro mais premiado de 2025, tá, gente? É importante a gente ressaltar isso”, afirma a artista, que cita reconhecimentos como APCA, Prêmio da Música Brasileira, Prêmio do Show, Music Video Festival (MVF), Women’s Music Event (WME) e Prêmio Potências.
Para ela, no entanto, os troféus não pertencem apenas a quem aparece no palco. “É muito bom porque a Gaby não ganha prêmio sozinha. São muitas pessoas que fazem esse projeto. Tinha que dividir em 300 prêmios para poder dar para todas as pessoas que estavam envolvidas comigo”, diz.
Gaby destaca que o reconhecimento vai além das premiações. “Para mim, o mais importante é o Brasil entender que ‘Rock Doido’ é música pop brasileira da Amazônia”, afirma.
Amazônia no centro
A afirmação ganha ainda mais peso pois Belém e a Amazônia passaram a ocupar espaço maior no debate nacional e internacional com a realização da COP30.
A cantora critica a maneira como o Pará e os demais estados da região Norte muitas vezes são tratados como se estivessem distantes da própria identidade brasileira, e dispensa a validação de outras partes do país: “Eu acho que o mais importante é a gente saber o que a gente é. A gente faz parte desse país e a gente vai continuar produzindo coisas incríveis, tão incríveis que ninguém vai conseguir ignorar.”
“Eu fico incomodada com esse lugar de distanciar o Pará como se a gente fosse um outro planeta. A gente faz parte desse país também”, segue.
Ao mesmo tempo, ela acredita que ampliar o contato com manifestações culturais amazônicas significa ampliar a própria compreensão sobre o Brasil. “Conhecer a cultura do Norte, conhecer a aparelhagem, assistir ao ‘Rock Doido’ é ser mais brasileiro.”
Cultura e política
A conversa também passou pelo cenário político. Em ano eleitoral, Gaby reafirmou uma posição, que acompanha sua trajetória pública. “Todo mundo sabe que eu sou qualquer coisa, menos o lado da extrema direita. E a gente sabe muito bem que a gente não quer voltar para aquele retrocesso”, afirma.
A artista relaciona seu posicionamento à defesa da democracia e de grupos que historicamente enfrentam desigualdades no país.
“Eu estou do lado do LGBT, do lado das pessoas pretas, do lado dos trabalhadores. Do lado que vai olhar para esse país com humanidade, principalmente através da educação e da cultura. Então vocês sabem de que lado que eu estou”, conclui.
Um ano de Rock Doido
O título do álbum vem do próprio rock doido, vertente da música eletrônica paraense ligada aos momentos mais acelerados das festas de aparelhagem que movimentam as periferias de Belém (PA).
Ao longo de 22 faixas, Gaby reúne tecnobrega, guitarrada, carimbó, pop e música eletrônica. As músicas se conectam umas às outras como em um set de DJ, enquanto bordões, vinhetas e referências reconhecíveis para quem acompanha o circuito das aparelhagens atravessam o projeto. O repertório conta ainda com participações de Viviane Batidão, Lauana Prado, Gang do Eletro e MC Dourado.
Em janeiro, “Rock Doido” venceu o Prêmio APCA 2025 na categoria Melhor Álbum do Ano. Desde o lançamento, o trabalho também ganhou novos formatos, como o “Rock Junino”, que aproximou a sonoridade do disco das tradições de São João, e o “Rock Light”, com versões acústicas das músicas. O álbum também foi acompanhado por um filme de 21 minutos, dirigido por Gaby Amarantos, Guilherme Takshy e Naré. Gravada em Belém, a produção audiovisual recria uma noite de festa em uma montagem contínua.
E tem mais…
O Bem Viver traz também a juçara, fruta nativa da Mata Atlântica, apresentada como “prima” do açaí amazônense.
Na cozinha, a chef Gema Sotto ensina uma receita de quibe de abóbora sem carne e sem desperdício.
E mais uma viagem até a China. Desta vez, conheça o cultivo de cogumelos orgânicos como uma das atividades que integram a revitalização rural no país, movimentando a economia local e criando novas oportunidades no campo.
Quando e onde assistir?
No YouTube do Brasil de Fato, todo sábado às 12h55, tem programa inédito. Basta clicar aqui.
Na TVT: sábado às 13h; com reprise domingo às 6h30 e terça-feira às 20h no canal 44.1 – sinal digital HD aberto na Grande São Paulo e canal 512 NET HD-ABC.
Na TV Brasil (EBC), sexta-feira às 6h30.
Na TVE Bahia: sábado às 12h30, com reprise quinta-feira às 7h30, no canal 30 (7.1 no aparelho) do sinal digital.
Na TVCom Maceió: sábado às 10h30, com reprise domingo às 10h, no canal 12 da NET.
Na TV Floripa: sábado às 13h30, reprises ao longo da programação, no canal 12 da NET.
Na TVU Recife: sábados às 12h30, com reprise terça-feira às 21h, no canal 40 UHF digital.
Na UnBTV: sextas-feiras às 10h30 e 16h30, em Brasília, no Canal 15 da NET.
TV UFMA Maranhão: quinta-feira às 10h40, no canal aberto 16.1, Sky 316, TVN 16 e Claro 17.
Sintonize
No rádio, o programa Bem Viver vai ao ar toda sexta-feira às 10h30, na Rádio Brasil de Fato. A sintonia é 98,9 FM na Grande São Paulo. Além de ser transmitido pela Rádio Agência Brasil de Fato.
O programa conta também com uma versão especial em podcast, o Conversa Bem Viver, transmitido pelas plataformas Spotify, Google Podcasts, iTunes, Pocket Casts e Deezer.
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