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Nas ruas, população celebra retorno do Haiti a uma Copa do Mundo 52 anos depois da primeira participação

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Adversária do Brasil na segunda rodada, a seleção do Haiti vive um grande momento na sua trajetória. Após 52 anos da primeira participação, o time volta a disputar um mundial de futebol masculino e estreia hoje, às 22h (horário de Brasília), contra a Escócia.

Em todo o país, as ruas foram tomadas pelas cores azul e vermelho da bandeira nacional. Diferente de outras Copas, quando muitos haitianos costumavam torcer vestidos com as camisas de Brasil e Argentina, desta vez a torcida celebra a própria seleção. A Copa do Mundo no país sempre foi uma grande festa, mas nessa edição o clima é de euforia pelas principais cidades do país.

Antes da bola, a seleção enfrentou um problema político com a FIFA. O Haiti foi obrigado a refazer o uniforme que continha um símbolo da independência do país, que foi classificado pela entidade como uma mensagem política. Manifestações desta natureza são proibidas e, por isso, o uniforme precisou ser substituído.

O ponto central da discordância é uma ilustração sutil estampada no canto inferior direito da camisa azul. A imagem retrata a Batalha de Vertières (1803), marco histórico fundamental em que os revolucionários haitianos derrotaram as tropas de Napoleão Bonaparte, consolidando a independência do Haiti em relação à França.

Segundo o comunicado da fabricante Saeta, o design foi pensado exclusivamente como uma homenagem à resiliência, ao orgulho e à história dos homens e mulheres que constroem o país, sem o objetivo de fazer uma declaração ideológica atual.

A Fifa entendeu que o elemento histórico violava suas estritas regras de vestuário e equipamentos, já que marcas que remetem a revoluções ou conflitos podem ser interpretadas como mensagens políticas.

O caminho até os Estados Unidos também não foi simples. O Haiti disputou as eliminatórias longe de casa e teve um treinador que nunca chegou a visitar o país. Agora, a equipe tenta fazer história.

O destino dos haitianos se cruza com o do Brasil na segunda rodada. Os dois times se enfrentam na sexta-feira (19), no Lincoln Financial Field, na Filádélfia, às 21h30 (no horário de Brasília)

*Com colaboração de Cha Dafol, correspondente do Brasil de Fato no Haiti.





Com Informações: Brasil de Fato

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