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MiradaMundi_SP: a internacionalização como política de equidade

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Por muito tempo, o acesso aos principais espaços de formação, mercado e circulação internacional do audiovisual foi privilégio de poucos. Ao mesmo tempo que dedica atenção especial a grupos historicamente sub-representados, o MiradaMundi_SP está aberto a profissionais de todas as origens, incluindo pessoas negras, indígenas, brancas e de diferentes trajetórias, amplia as oportunidades de formação e inserção internacional no setor, para quem participar de laboratórios, festivais e mercados internacionais sempre foi uma possibilidade distante, limitada por barreiras econômicas, sociais e estruturais. O programa demonstra como políticas públicas de internacionalização podem fortalecer o audiovisual brasileiro ao combinar excelência profissional, diversidade e ampliação do acesso.�

Realizado pela APAN (Associação dos Profissionais do Audiovisual Negro), com recursos da Spcine, por meio da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB), o MiradaMundi_SP é uma política pública de internacionalização que promove intercâmbios, cursos, oficinas, laboratórios e participação em festivais e mercados internacionais. Em cada convocatória, o programa oferece percursos formativos que conectam profissionais brasileiros a redes globais de criação, desenvolvimento, distribuição e coprodução, fortalecendo o audiovisual paulistano e ampliando a presença de novas narrativas brasileiras no cenário internacional.�

Os números revelam a dimensão desse impacto. Desde seu lançamento, em 2025, o MiradaMundi_SP já levou mais de 180 participantes para experiências internacionais de formação em cerca de 18 países. Até novembro de 2026, a expectativa é contemplar 200 profissionais ao longo das diferentes convocatórias, consolidando uma rede internacional voltada ao fortalecimento do audiovisual produzido na cidade de São Paulo.

Mais do que viabilizar experiências internacionais, o MiradaMundi_SP estrutura percursos completos de formação e desenvolvimento profissional. Cada convocatória é desenhada de acordo com seu objetivo — seja para cursos e oficinas em instituições de ensino no exterior, seja para laboratórios, festivais e mercados internacionais — oferecendo mentorias, consultorias, encontros com produtores, distribuidores, programadores de festivais e potenciais parceiros internacionais. O programa fortalece competências artísticas, técnicas e estratégicas, amplia redes de colaboração e cria oportunidades concretas para o desenvolvimento de projetos, coproduções e circulação internacional de obras.�

MiradaMundi_SP no Bravo Film Festival | Crédito: Divulgação

Esse aspecto é especialmente relevante quando observamos quem ocupa esses espaços. A presença de jovens negros e indígenas em mercados internacionais não significa apenas diversidade estatística. Significa ampliar perspectivas, fortalecer outras formas de contar histórias e inserir novos olhares sobre o Brasil em circuitos historicamente restritos. Cada projeto selecionado representa também comunidades, territórios, culturas e memórias que passam a dialogar com o mundo.

Uma das contempladas pelo MiradaMundi_SP, Jade Puente, traz uma reflexão importante ao destacar o valor do programa para sua trajetória profissional e para valorização das narrativas indígenas no cenário internacional. Valorizando sua origem, ela pode  estudar cinema em outro país, fortalecer sua pesquisa voltada às comunidades originárias e ampliar a circulação dessas histórias, provando que  políticas públicas que investem na formação e internacionalização de profissionais indígenas, permitem que mais pessoas possam acessar e ocupar esses espaços. Esse é apenas um dos muitos relatos recebidos pelo programa até agora. Relatos que emolduram as redes do Mirada, mostrando a potência das políticas públicas para o audiovisual.

O impacto ultrapassa o indivíduo contemplado. Os conhecimentos adquiridos retornam para coletivos, produtoras independentes, universidades e territórios periféricos, criando um efeito multiplicador capaz de fortalecer toda a cadeia do audiovisual. Ao democratizar o acesso às experiências internacionais, o MiradaMundi_SP investe na formação de profissionais mais preparados para competir em um mercado global, ao mesmo tempo em que fortalece a diversidade como ativo estratégico da indústria brasileira.

O programa, que já realizou missões internacionais nos Estados Unidos, Colômbia, Cuba, Espanha, África do Sul, Argentina, Angola e Uruguai, se prepara para sua próxima convocatória, que levará profissionais da capital paulista ao México para participar do DocsMX, um dos maiores e mais importantes festivais de cinema documental da América Latina.�

MiradaMindi_SP no em Bogotá Colombia | Crédito: Divulgação

Em um contexto em que o audiovisual se consolida como uma indústria criativa de alcance global, o MiradaMundi_SP demonstra que internacionalizar também é promover inclusão e ampliar oportunidades. Mais do que um programa de mobilidade internacional, a iniciativa se consolida como uma política pública de formação, internacionalização e fortalecimento do ecossistema audiovisual brasileiro. Ao conectar intercâmbio, qualificação, mentorias e redes internacionais de colaboração, o MiradaMundi_SP transforma trajetórias profissionais, impulsiona a economia criativa e amplia a presença de talentos brasileiros — especialmente daqueles historicamente sub-representados — nos principais espaços de criação, formação e mercado do audiovisual mundial.

*Este é um artigo de opinião e não necessariamente representa a linha editorial do Brasil do Fato.





Com Informações: Brasil de Fato

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