O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta sexta-feira, 20 de março, que a Petrobras deverá buscar a recompra da Refinaria de Mataripe, na Bahia, antiga Refinaria Landulpho Alves (Rlam), atualmente operada pela Acelen, empresa controlada pelo fundo Mubadala.
A declaração foi feita durante evento na Refinaria Gabriel Passos (Regap), em Minas Gerais, ao lado da presidente da Petrobras, Magda Chambriard. Segundo a Reuters, Lula disse que a refinaria baiana “será comprada de volta”, embora tenha sinalizado que esse movimento ainda pode levar tempo.
“Vamos comprar de volta a refinaria na Bahia. Pode demorar um pouco, mas nós vamos”. Na solenidade, Lula também criticou a privatização da BR Distribuidora – que seria uma peça-chave nessa política de fiscalização. “Se a ainda BR estivesse na nossa mão, conseguimos regular o preço que chega no consumidor”, disse.
Disparada dos preços
A fala do presidente ocorre em meio à disparada dos combustíveis na Bahia nas últimas semanas. Na rodada mais recente de reajustes da Acelen, com vigência a partir de 19 de março, a gasolina A em São Francisco do Conde subiu de R$ 3,2781 para R$ 3,7065 por litro, alta de 13,1%.
No mesmo movimento, o diesel S500 passou de R$ 4,8961 para R$ 5,5565, e o diesel S10, de R$ 4,9961 para R$ 5,6565 por litro. Considerando a média das bases baianas analisadas pela reportagem anterior, a gasolina A chegou a R$ 3,742 por litro. Se considerada toda a sequência de altas nas tabelas baianas, a gasolina acumula avanço médio de 46,3%, enquanto o S500 sobe 74,7 % e o S10, 72,4 % durante o mês de março.
O avanço dos preços tem sido associado à crise no mercado internacional de petróleo, agravada pela guerra envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã e pelas tensões no entorno do Estreito de Ormuz. Em resposta, o governo federal zerou o PIS/Cofins do diesel, criou uma subvenção de R$ 0,32 por litro e estimou alívio potencial total de R$ 0,64 por litro nas bombas, além de reforçar a fiscalização da ANP. Ainda assim, a gasolina não foi alcançada diretamente por esse pacote.
Na prática, a declaração de Lula recoloca no centro do debate a política de preços da refinaria baiana. Desde que deixou o controle da Petrobras, Mataripe passou a operar com política comercial própria, desvinculada da estatal. Isso ajuda a explicar por que, enquanto a Acelen elevou a gasolina A na Bahia para um intervalo entre R$ 3,7065 e R$ 3,7910 por litro, a referência mais recente da Petrobras para gasolina A vendida às distribuidoras ficou em R$ 2,57 por litro após redução anunciada em janeiro.
A refinaria foi vendida pela Petrobras ao Mubadala em 2021. O preço de compra anunciado no processo foi de US$ 1,65 bilhão, mas a operação foi concluída com pagamento de US$ 1,8 bilhão, valor ajustado por correção monetária, capital de giro, dívida líquida e investimentos até o fechamento da transação. Desde então, a unidade passou a se chamar Refinaria de Mataripe e a ser operada pela Acelen.
A manifestação de Lula, porém, ainda não significa uma operação fechada. Até o momento, não houve anúncio de acordo, cronograma ou valor de eventual recompra. Segundo a Reuters, Petrobras e Mubadala não comentaram imediatamente a fala do presidente.















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