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Inmet prevê chuva acima da média em parte do Nordeste e alerta para déficit hídrico na Bahia

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O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) divulgou nesta segunda-feira, 11 de maio, o Boletim Agroclimatológico Mensal com a previsão para o trimestre maio, junho e julho de 2026. Para a Região Nordeste, o documento indica cenários distintos: maior regularidade de chuvas no norte da região e na faixa leste, enquanto áreas do interior devem seguir com baixa disponibilidade de água no solo.

O boletim reúne a análise das condições climáticas observadas em abril e o prognóstico agroclimático para os próximos três meses, com foco nos impactos sobre lavouras, pastagens e atividades agropecuárias. Segundo o Inmet, abril teve chuvas expressivas em parte do Nordeste, mas também registrou áreas com restrição hídrica, principalmente na Bahia, no semiárido pernambucano e no oeste de Alagoas.

Para o trimestre maio-junho-julho, a previsão indica volumes de chuva acima da média no centro-norte do Maranhão, norte do Piauí, norte do Ceará e na faixa leste do Nordeste, desde o Rio Grande do Norte até o litoral da Bahia. Nessas áreas, os acumulados podem ficar até 100 milímetros acima da média climatológica.

No interior nordestino, as chuvas devem permanecer próximas da média, mas o armazenamento hídrico do solo tende a diminuir ao longo dos próximos meses. O Inmet prevê ampliação das áreas com estoques de água inferiores a 30% em grande parte da região, principalmente a partir de junho.

Chuvas no Nordeste

As áreas com previsão de chuva acima da média se concentram no norte do Maranhão, norte do Piauí, norte do Ceará e na faixa leste do Nordeste. Essa condição deve favorecer a disponibilidade hídrica nesses locais e contribuir para o desenvolvimento das atividades agropecuárias.

Na faixa litorânea, a umidade deve permanecer mais elevada ao longo do trimestre. De acordo com o boletim, níveis de armazenamento hídrico superiores a 70% são previstos para o norte do Maranhão, do Piauí e do Ceará durante maio. Em junho e julho, essa condição tende a ficar mais restrita à faixa litorânea nordestina.

No interior da região, a tendência é de chuvas próximas da média, mas insuficientes para impedir a redução progressiva da umidade no solo em várias áreas. As condições mais críticas de déficit hídrico são previstas para o centro-sul do Maranhão e do Piauí, além de áreas do Ceará, oeste do Rio Grande do Norte e sertão de Pernambuco.

Temperaturas

As temperaturas devem permanecer acima da média climatológica em grande parte do Nordeste no trimestre maio-junho-julho. O Inmet prevê anomalias entre 0,25°C e 1°C.

Os maiores desvios positivos de temperatura são esperados para o sul do Maranhão, sul do Piauí e oeste da Bahia. Esse cenário tende a aumentar a evapotranspiração, processo em que há perda de água do solo e das plantas para a atmosfera, agravando a redução da umidade em áreas que já apresentam menor disponibilidade hídrica.

Em abril, as temperaturas máximas médias mais elevadas no Nordeste foram registradas nos estados da Bahia, Alagoas, Pernambuco e Piauí. Entre os destaques, Barra, na Bahia, teve média de 34,1°C; Pão de Açúcar, em Alagoas, 33,8°C; e Cabrobó, em Pernambuco, e São João do Piauí, no Piauí, 33,5°C.

Impactos agrícolas

Nas áreas com maior regularidade de chuvas, como o norte do Maranhão, norte do Piauí e faixa litorânea, a manutenção da umidade do solo deve favorecer lavouras de sequeiro, especialmente aquelas em fase de maior demanda hídrica. A condição também deve contribuir para a recuperação e a manutenção das pastagens.

Por outro lado, a ampliação do déficit hídrico no interior do Nordeste pode comprometer culturas de segunda safra, principalmente em fases mais sensíveis ao estresse hídrico. A redução da umidade também tende a limitar a recuperação das pastagens e reduzir a disponibilidade de forragem para o rebanho.

O alerta é mais relevante para áreas do centro-sul do Maranhão e do Piauí, Ceará, oeste do Rio Grande do Norte e sertão de Pernambuco, onde os déficits podem chegar a 150 milímetros ao longo do trimestre. No oeste da Bahia, a previsão de temperaturas acima da média também exige atenção, principalmente em áreas de produção agrícola dependentes de maior regularidade hídrica.

Condições observadas em abril no Nordeste

Em abril, os maiores acumulados de chuva no Nordeste ocorreram no Maranhão, Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, leste de Pernambuco e Alagoas, com totais superiores a 150 milímetros. Entre os maiores registros estiveram Turiaçu, no Maranhão, com 462,4 milímetros; Natal, no Rio Grande do Norte, com 446,8 milímetros; Zé Doca, no Maranhão, com 442,2 milímetros; e Caxias, também no Maranhão, com 429 milímetros.

Essas chuvas ajudaram a recompor a umidade do solo, com níveis de armazenamento superiores a 60% em parte da região. O cenário favoreceu o desenvolvimento das lavouras, especialmente o milho segunda safra em fase de enchimento de grãos no Maranhão e no Piauí.

O feijão segunda safra também foi beneficiado pela boa disponibilidade hídrica em áreas em fase vegetativa e reprodutiva. Além disso, as condições de umidade favoreceram a manutenção das pastagens, garantindo melhor oferta de forragem ao rebanho.

Em sentido oposto, grande parte da Bahia, o semiárido pernambucano e o oeste de Alagoas registraram acumulados inferiores a 70 milímetros. Nessas áreas, o armazenamento hídrico ficou abaixo de 30%, com restrição mais acentuada no extremo oeste baiano. Segundo o boletim, a baixa umidade comprometeu cultivos de segunda safra em fase reprodutiva e reduziu o crescimento das forrageiras.

Resumo das demais regiões

Norte: a previsão indica chuvas acima da média em grande parte da região, principalmente entre o norte do Amapá e o nordeste do Pará. A umidade do solo deve seguir elevada em maio e junho, favorecendo lavouras e pastagens, mas a redução dos estoques hídricos deve avançar a partir de junho no sul do Amazonas, Acre, Rondônia, sul do Pará e Tocantins.

Centro-Oeste: o trimestre deve ter chuva abaixo da média em grande parte da região e temperaturas acima da normal climatológica. A umidade do solo ainda deve ser favorável em maio, mas tende a cair em junho e julho, com risco para milho segunda safra, algodão e pastagens.

Sudeste: a previsão aponta chuva abaixo da média em São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo e grande parte de Minas Gerais. A redução da umidade no solo pode afetar culturas de segunda safra, principalmente milho e feijão em Minas Gerais.

Sul: o Inmet prevê chuva abaixo da média no Paraná e em Santa Catarina, mas volumes próximos ou acima da média no Rio Grande do Sul. A umidade do solo deve se manter satisfatória em boa parte da região, favorecendo culturas de inverno, embora o excesso de umidade no Rio Grande do Sul possa aumentar o risco de doenças nas lavouras.

Condições oceânicas

O boletim também analisou as condições dos oceanos. Em abril, o Atlântico Tropical Sul apresentou anomalia positiva de 0,64°C, enquanto o Atlântico Tropical Norte registrou 0,05°C. Essa configuração caracteriza um dipolo de fase negativa, condição que favorece o deslocamento da Zona de Convergência Intertropical (ZCIT) mais ao sul e contribui para chuvas na costa norte do Nordeste e no leste da Amazônia.

No Pacífico Equatorial, a região Niño 3.4 apresentou anomalia média de 0,5°C em abril, ainda dentro da faixa de neutralidade climática. Apesar disso, o Inmet aponta tendência de aquecimento das águas superficiais do Pacífico. Segundo a previsão probabilística do International Research Institute for Climate and Society (IRI), citada no boletim, há 88% de chance de ocorrência de El Niño no trimestre maio-junho-julho e cerca de 92% no trimestre junho-julho-agosto.

Guia rápido

  • Período da previsão: maio, junho e julho de 2026
  • Região em foco: Nordeste
  • Chuvas acima da média: centro-norte do Maranhão, norte do Piauí, norte do Ceará e faixa leste do Nordeste até o litoral da Bahia
  • Áreas com maior risco de déficit hídrico: centro-sul do Maranhão e do Piauí, Ceará, oeste do Rio Grande do Norte, sertão de Pernambuco e áreas do interior nordestino
  • Temperaturas: acima da média em grande parte da região
  • Impactos: condições favoráveis no norte e litoral, mas risco para culturas de segunda safra e pastagens no interior

Veja o boletim completo



Com informações do Agência Sertão

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