O governo federal afirmou nesta quinta-feira (16) que vai reforçar as medidas de proteção à indústria nacional diante do tarifaço anunciado pelos Estados Unidos contra produtos brasileiros. Em coletiva de imprensa, ministros defenderam que as sobretaxas impostas por Washington são “injustas”, anunciaram o fortalecimento do Plano Brasil Soberano e reafirmaram que o Brasil recorrerá aos mecanismos previstos na Lei da Reciprocidade e à Organização Mundial do Comércio (OMC).
Ao apresentar as medidas, o ministro interino da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o governo já dispõe de instrumentos para reduzir os impactos sobre empresas e trabalhadores. “Já temos prontos os mecanismos de proteção das nossas empresas e nossos empregos. Os setores afetados serão, mais uma vez, chamados ao diálogo e ampliaremos e reforçaremos o Programa Brasil Soberano”, disse. Segundo ele, a aplicação da Lei da Reciprocidade ocorrerá “na hora adequada”, enquanto o governo mantém abertos os canais diplomáticos.
Durigan acrescentou que as linhas de apoio ao setor produtivo já foram testadas anteriormente. “A gente já testou, com sucesso, as linhas de apoio aos empresários nacionais. O que vamos fazer é ouvir os setores e reforçar as linhas já existentes”, afirmou.
O secretário-executivo do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Márcio Elias Rosa, classificou as tarifas como “injustas” e disse que a prioridade do governo é proteger os segmentos atingidos. Segundo ele, cerca de 2,4 mil empresas exportadoras podem ser afetadas, especialmente nos setores de madeira, máquinas e equipamentos elétricos, móveis, cerâmica, calçados e açúcar.
O secretário também ressaltou que a dependência brasileira do mercado estadunidense diminuiu nas últimas décadas. “A prioridade do governo é atender e apoiar setores atingidos pela injusta tarifa. […] A participação dos Estados Unidos na exportação brasileira caiu de 12,4% para 9,4%”, afirmou.
Em nota divulgada após a coletiva, o MDIC rebateu as justificativas apresentadas pelos Estados Unidos para a abertura da investigação comercial e para a imposição das tarifas. O governo brasileiro afirmou que manteve diálogo permanente com as autoridades estadunidenses desde o início do processo, com mais de 30 reuniões realizadas desde julho de 2025, mas sustentou que “não há qualquer justificativa para medidas unilaterais contra o nosso país”.















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