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‘Governo deve optar pela reciprocidade contra tarifas dos EUA’, avalia especialista em Relações Internacionais

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Nesta quarta-feira (15), finda o prazo para que o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos divulgue a decisão final da investigação comercial que pode resultar na aplicação de tarifas de 25% e de 12,5% sobre produtos brasileiros. Segundo interlocutores do Palácio do Planalto, após a divulgação da decisão, o governo brasileiro vai analisar o teor e definir qual será a reação. Entre as possibilidades em discussão estão o acionamento da Lei da Reciprocidade Econômica ou a continuidade das negociações diplomáticas com os estadunidenses.�

Ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, Jana Silverman, professora de Relações Internacionais da Universidade Federal do ABC (UFABC), explica o que o governo deverá avaliar. “Acredito que fará uma análise se a decisão vai ser enviesada em temas políticos que realmente não têm nada a ver com concorrência comercial. Porque, em teoria, a decisão é baseada nessa questão: se o Brasil está, entre aspas, fazendo concorrência desleal ou não”, argumenta, lembrando que a relação comercial dos EUA é superavitária sobre o Brasil.

Nesse sentido, Silverman defende que, diante dos fatos recentes e da proximidade eleitoral no Brasil, incluindo a tentativa de Flávio Bolsonaro de manipular o início da taxação para mitigar danos à sua candidatura presidencial, o governo deve ter uma atitude firme, porque o diálogo não parece ser um caminho eficiente.

“Eu acho que não há muitas possibilidades de uma negociação diplomática frutífera. Acho que tem que ter uma decisão fria e optar pela reciprocidade”, afirma.

A professora considera que a interferência de Trump nas eleições de outubro, independentemente da intensidade, é certa e se dá pelo que ela define como “conjunto da obra”. “As tarifas são apenas uma estratégia. Teve a mudança de status do PCC e CV para organização terrorista, tem a questão, que eu considero a mais grave, que é das big techs, fazendo uma ingerência aberta nas eleições, manipulação de algoritmos e da produção de fake news via inteligência artificial — tecnologias que são absolutamente controladas pelos Estados Unidos, que se usa aqui”, menciona.�

Jana Silverman também destaca o papel de protagonismo do Brasil entre os países do Sul Global, que têm, ano após ano, colocado em xeque a hegemonia estadunidense no continente. “Eles não vão deixar para lá. Se não conseguirem fazer uma ingerência tarifária, vão encontrar outra forma”, pondera.

Para ouvir e assistir

O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 12h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.





Com Informações: Brasil de Fato

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