A Gomo Coop, cooperativa de consumo participativa instalada no centro de São Paulo (SP), propõe uma forma diferente de organizar a relação entre consumidores, trabalho e gestão. Esta edição do Bem Viver, programa do Brasil de Fato, traz a iniciativa que reúne pessoas que atuam simultaneamente como proprietárias, consumidoras e trabalhadoras do empreendimento.
Uma das idealizadoras do projeto, Letícia Zero, afirma que a proposta surgiu como alternativa aos modelos tradicionais de consumo. Segundo ela, o objetivo é incentivar práticas alinhadas à economia solidária, nas quais o lucro não seja o único indicador de sucesso. Para a cooperativa, a valorização e o bem-estar das pessoas envolvidas na cadeia produtiva também são critérios centrais.
Inspirado nos princípios da economia solidária, o modelo adotado pela Gomo prevê que cada participante adquira uma cota da cooperativa e passe a integrar sua estrutura de gestão. Dessa forma, os cooperantes se tornam donos de parte do capital social do empreendimento, além de consumidores e responsáveis por atividades ligadas ao funcionamento da loja.
A participação direta dos cooperantes também é vista como uma forma de reduzir custos operacionais. Segundo Zero, a manutenção de uma equipe contratada menor contribui para diminuir despesas e impacta os preços praticados. Ela afirma ainda que eventuais excedentes financeiros serão reinvestidos na própria cooperativa para melhorar a infraestrutura e reduzir custos para os participantes. “A Gomo oferece, para as pessoas cooperantes que aderem ao projeto, uma comunidade para fazer parte.”
A cooperante Carol Barbosa explica que cada integrante realiza um turno de três horas a cada ciclo de 28 dias. Nesse período, os participantes assumem tarefas como operação de caixa, reposição de produtos, conferência de validade de mercadorias e limpeza do espaço. Antes do início das atividades, os cooperantes informam como estão se sentindo para que as funções sejam distribuídas de acordo com suas condições naquele dia.
Segundo Barbosa, também existe flexibilidade para troca de turnos entre os participantes. Quando alguém não consegue comparecer, pode solicitar a substituição por outro cooperante. A cooperativa mantém ainda um grupo de apoio formado por moradores da região para cobrir ausências de última hora.
“O meu turno é fixo na terça-feira, no final da tarde. Então, esse é o que eu faço a cada 28 dias. Mas tem uma forma de você trocar. Então, se eventualmente você não puder comparecer neste turno, tem um sistema e a gente pede para trocar com outra pessoa cooperante para uma outra possibilidade de turno.”
A construção da cooperativa começou com um grupo de cerca de 15 pessoas que passou anos desenvolvendo o projeto e adaptando referências internacionais à realidade brasileira. A cooperante Karina Nishioka conta que, no fim de 2025, o grupo lançou uma campanha de financiamento coletivo para viabilizar a primeira compra de produtos e abastecer o espaço.
Desde então, a comunidade cresceu e ultrapassou 550 cooperantes. De acordo com Nishioka, parte desse crescimento ocorreu por causa da repercussão espontânea gerada pelo projeto. “Teve bastante gente se aproximando pela mídia espontânea que gerou, por ser uma ideia inovadora, por ter esse componente que não tem na América Latina, né? A gente não encontrou nenhum modelo assim por aqui. Então somos pioneiros”, diz.
Para Barbosa, o engajamento dos cooperantes está ligado à crença de que é possível construir formas diferentes de consumo e organização econômica. “Quando você trabalha em prol de acreditar numa mudança, de entender que esse é um modelo diferente, que esse é um modelo possível e conseguir mostrar, junto com outras pessoas, que é possível sim, que a mudança depende de nós e que a gente consegue fazer diferente, é o que me motiva a estar aqui.”
O nome da cooperativa faz referência aos gomos de uma mexerica e busca representar a união de diferentes pessoas em torno de um projeto coletivo. Segundo os integrantes, a ideia é que cada participante contribua para formar um todo construído de maneira compartilhada.�
“A ideia de gomo é um gominho mesmo de mexerica, que é feito de vários pequenos gominhos e, enfim, tem sua transparência, sua suculência, seu perfume e forma o fruto, então é um gominho de mexerica”, explica Nishioka.
E tem mais…
Longe dos holofotes da Copa do Mundo, o Bem Viver traz um campo de futebol no topo de um vulcão adormecido no México, que mostra que o esporte também é uma ferramenta de pertencimento e comunidade.
A CoopCerrado dá um salve sobre sustentabilidade e trabalho coletivo na produção de alimentos orgânicos no Brasil.
E não para por aí: em Cuba, a força da imaginação mantém viva a chama da infância.�
Tudo isso, além da receita junina especial de suflê de milho com a Gema Soto.
Quando e onde assistir?
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Na TV Brasil (EBC), sexta-feira às 6h30.
Na TVE Bahia: sábado às 12h30, com reprise quinta-feira às 7h30, no canal 30 (7.1 no aparelho) do sinal digital.
Na TVCom Maceió: sábado às 10h30, com reprise domingo às 10h, no canal 12 da NET.
Na TV Floripa: sábado às 13h30, reprises ao longo da programação, no canal 12 da NET.
Na TVU Recife: sábados às 12h30, com reprise terça-feira às 21h, no canal 40 UHF digital.
Na UnBTV: sextas-feiras às 10h30 e 16h30, em Brasília, no Canal 15 da NET.
TV UFMA Maranhão: quinta-feira às 10h40, no canal aberto 16.1, Sky 316, TVN 16 e Claro 17.
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