Na manhã deste sábado (1º), os mais de 400 produtores assentados e acampados em Pernambuco pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) vendiam seus últimos produtos após três dias de movimentações intensas na Feira Estadual da Reforma Agrária. As 220 barracas da feira, montada desde a última quinta-feira (29) na Rua do Bom Jesus, Bairro do Recife, começaram a dar vazão aos derradeiros itens, frutos da agricultura familiar e agroecologia, e organizar a volta aos lares, espalhados por todas as regiões do estado, levando na bagagem não apenas os retornos financeiros, mas uma série de experiências que aproximaram ainda mais o campo e os centros urbanos.�
De Goiana, a agricultora Simone Alves trouxe os frutos de sua sementeira, vendo seu estoque de mudas de plantas ornamentais e para hortas já bem modesto na manhã deste sábado, após as intensas vendas dos dias anteriores. “Foi ótimo, é minha segunda vez e pretendo nunca faltar. Fico contente não só com as vendas, mas também com os momentos. Adorava quando clientes diziam que não sabiam plantar e eu explicava, mostrando o amor que eu tenho e fazendo a pessoa também se apaixonar”, relata Simone.�
O sucesso da feira também é o que atesta Paulo Mansan, da direção executiva do MST, ressaltando a comercialização de centenas de toneladas dos mais de 500 produtos disponíveis na feira. “Um sucesso total a cultura camponesa se integrando com o Recife, reforçando que ‘se o campo não planta, a cidade não janta’. Os feirantes estão felizes porque venderam tudo e o MST está feliz por levar comida saudável para a mesa do povo pernambucano”, afirma Mansan.�
Ele também ressalta que o momento traz ânimo ao movimento diante dos desafios do restante do ano, sobretudo o eleitoral, cujas diretrizes do movimento estão voltadas para a reeleição do presidente Lula (PT) e a formação de uma bancada sem-terra, com a atual deputada estadual Rosa Amorim (PT) representando Pernambuco. Ânimo também para os próximos passos de organização da produção do MST. “Todos os encontros e debates que tivemos aqui, sobre cooperativismo, comercialização e educação, nos motivam a organizar mais cooperativas, mais produção, mais feiras e continuar organizando o povo brasileiro”, diz Paulo Mansan.�
No palco montado na Praça do Arsenal, foi realizado um ato político de encerramento da feira, protagonizado pelos integrantes das diversas regionais do movimento, assim como por lideranças históricas de peso, tanto regional quanto nacional, na luta da reforma agrária. Para abrir a ação, foi realizada uma mística sobre os desafios e o fortalecimento da luta pela terra com o passar dos anos. No palco, foram apresentadas novidades da produção da agricultura familiar pulverizada pelo estado, que passaram por pimentas, chás, ovos, farinhas e cachaças.�
Na ocasião do ato, Jaime Amorim, dirigente nacional e liderança histórica do MST em Pernambuco, falou sobre o sucesso da feira e como a experiência é enriquecedora tanto para os vendedores quanto para o público consumidor. “Aqui, ganhou quem comprou o produto, porque está levando um alimento saudável para casa, e ganhou quem vendeu, pois vai levar o lucro para casa e reinvesti-lo em seu lote ou cooperativa”, afirmou Jaime.�
O dirigente também destacou que a feira do próximo ano já começou a ser organizada, destacando como virá com um caráter ainda mais de intercâmbio de conhecimento, com a possível vinda de oficinas e experiências com farinheiras, criação de bioinsumos e apresentação de sementes, como a do milho crioulo, completamente livre de transgênicos e agrotóxicos. “Nós vamos organizar a partir de agora e a feira do ano que vem vai ser bastante diferente. Vamos transformá-la em um grande espaço de conhecimento, de amostras e de troca de experiência, convocando também escolas e universidades”, revelou Jaime.�
Quem também esteve presente no ato foi João Pedro Stédile, dirigente nacional e um dos fundadores do MST. Mais cedo, Stédile ministrou uma aula sobre a questão agrária, traçando um panorama histórico e sociológico da luta pela terra desde a origem da humanidade, realizada no auditório da Paróquia da Soledade, para integrantes do movimento, alunos do Curso de Realidade Brasileira do Movimento Brasil Popular e do programa Ver-Sus.�
No palco, ele parabenizou os integrantes pernambucanos do MST pelos desafios superados nos últimos anos. “Vocês estão na vanguarda do nosso movimento por todo o esforço e toda a pressão que vocês exercem para nos multiplicarmos. Sempre aplicando o que defendemos, que passa, além da luta contra o latifúndio, pela produção de alimentação saudável e defesa da natureza. Espero que o Recife tenha compreendido isso a partir desses mais de 500 produtos trazidos para cá, que demonstram a diversidade do trabalho do nosso povo”, disse Stédile.�
Pela noite, o palco montado na Praça do Arsenal também tem o encerramento do Festival Terra, Arte e Pão, momento cultural da Feira da Reforma Agrária. Neste sábado (1º), se apresentam Gabi da Pele Preta, DJ Safira, Uana, DJ Sidade e Martins, com participação de Barro.













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