Está em pré-venda o mais novo livro do psicanalista e professor de psicanálise e psicopata do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo (USP), Christian Dunker. Com o título “Discurso e Narrativa em Psicanálise” (Ed. Autêntica), a obra debate como esses dois elementos não são sinônimos, mas se correlacionam.
Em entrevista ao programa Conversa Bem Viver, da Rádio Brasil de Fato, o professor descreve como a clínica psicanalítica trata ambos os conceitos. “Todo discurso envolve uma necessidade lógica, ele é como se fosse uma fala anônima, como se fosse um subentendido das relações, dos espaços que geram o nosso laço social”, explica.
Já as narrativas são o “discurso encarnado”. “São as versões que esta pessoa conta, que aquele coletivo conta. E ali você vai encontrar de fato uma estrutura mais próxima da história”.
Levando a abordagem para o mundo digital, o professor diz que os discursos nas redes agem como um mecanismo de colonização ao ditar ações comuns para todas as pessoas.
“É mostrar como você sofre, mas também vender um pertencimento falso. Todo discurso promove reconhecimento. Mas, para eu te reconhecer, você precisa falar a mesma língua. Que é isso? Colonização. A gente está sendo colonizado digitalmente. Mas, antes de sermos colonizados digitalmente, nós estamos sendo colonizados pelo capitalismo, pelas relações de gênero, pelo racismo. Está tudo isso no discurso”, reflete o psicanalista.
Usando o processo de desinformação como exemplo, o professor comenta que a eficácia das fake news emerge do discurso. “Narrativas pessoais têm um gestor por trás, que chama algoritmo. E ele vai pegar alguns significantes, e aquilo pode ganhar uma atração para um público ou outra atração para outro público. Ou seja, é uma coisa que a gente está vivendo, esse confronto, essa manipulação da narrativa pelos discursos e também dos discursos pelas narrativas”.
Para além de narrativa e discurso, o livro também trata sobre história, um terceiro elemento que se interliga com os dois anteriores. “O livro mobiliza três dimensões de linguagem: a história é incontornável, tanto a história individual quanto a história coletiva. A história, enquanto sistema de escrita, tem um terceiro nível. Sem narrativa e sem discurso, você não faz história, mas a história não se reduz ao que a gente conta sobre os fatos”, analisa Dunker.
Entenda mais no programa completo.
Conversa Bem Viver
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