Quem achava que o imperialismo dos Estados Unidos contra o Brasil era prática antiga, reservada aos livros de História, se surpreendeu. Ele se expressa de forma muito concreta no tarifaço de 25%que o presidente Donald Trump determinou sobre produtos brasileiros e que entrou em vigor nesta quarta-feira (22). Além disso, o país coordena um ataque contra o sistema de pagamento brasileiro Pix, que não cobra taxas e reduz lucros das empresas de cartões de crédito estadunidenses.
O economista e historiador Paulo Faria avalia as justificativas para as taxas como grosseiras. “O comércio exterior é mais complexo e a política econômica que o Trump parece adotar é muito pouco articulada, muito baseada nessas ideias simplistas, toscas, associadas a visões políticas igualmente simplistas e que seguem esse roteiro de tentar criar uma visão internacional da extrema direita.”
O especialista destaca que, por trás do discurso, articulam-se interesses políticos e econômicos, que utilizam as elites do país, dispostas “a defender as ações de um país estrangeiro, em vez de defender a soberania”.
As tarifas legítimas e as ‘burras’
Faria diferencia o uso legítimo da política econômica do que chama de uso “desordenado e político”. “O uso de tarifas de importação é uma ferramenta legítima para qualquer país para construir sua política industrial, para proteger, inclusive, empregos qualificados, de indústrias estratégicas, que têm valor para a classe trabalhadora.”
Mas, segundo o economista, Trump faz outra coisa. “É um uso desordenado, político de tarifas. E isso aí traz o impacto para a classe trabalhadora estadunidense. Quando você tem um uso indiscriminado de tarifas, sem ser parte de uma política mais ampla de política industrial, que envolve crédito, que envolve fomento a setores estratégicos, que envolve garantia de emprego, isso se transforma em inflação”, explica.
Para o economista e historiador, taxar produtos como o café ou o suco de laranja brasileiro é ineficaz para a economia estadunidense, pois não gera produção local desses itens, resultando apenas em inflação para o trabalhador estadunidense. “Não se vai plantar café nos Estados Unidos porque o café brasileiro ficou mais caro. Impossível fazer isso. Então, nesse caso, a tarifa é um mecanismo totalmente burro”, afirma.
Perseguição ao Pix
Pedro Faria afirma que há, no entanto, uma irritação de setores financeiros dos EUA com a quebra de monopólio de sistemas de pagamento. Segundo o economista, o Pix é, fundamentalmente, um “exercício de soberania brasileira”.
Ele explica que operadoras de cartão e big techs perderam o poder de ditar as regras em um espaço econômico vital. “O que elas gostariam é que esse controle fosse delas e que elas pudessem extrair rendas de monopólio. Ao invés de fornecer um serviço em um ambiente de concorrência capitalista, elas não se interessam em oferecer o serviço em um ambiente de concorrência, onde elas podem até ganhar dinheiro, mas não controlar”, ressalta.
Para ouvir e assistir
O BdF Entrevista vai ao ar de segunda a sexta-feira, sempre às 16h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo.













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