Região

Descoberta de corais resilientes não resolve poluição de oceanos por plástico e mudanças climáticas, diz geógrafo

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Cientistas identificaram cerca de 165 mil km² de recifes de corais capazes de sobreviver e se recuperar das mudanças climáticas. O estudo avaliou dados de campo em 71 países, revelando que essas áreas resilientes podem servir como refúgios vitais para a biodiversidade marinha.

Colunista do programa Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, Wagner Ribeiro, geógrafo e professor de Pós-graduação em Ciência Ambiental da Universidade de São Paulo (USP), destaca que, ao contrário dos seres humanos, parece que outras espécies estão se adaptando às novas condições climáticas. “É uma boa notícia. A natureza se vira e consegue, bem ou mal, se reproduzir e viver sob novos parâmetros”, afirma.

Ao mesmo tempo, um relatório da Organização das Nações Unidas (ONU) divulgado nesta semana mostra que os indicadores de saúde dos oceanos pioraram significativamente em menos de dez anos. Ribeiro explica que a boa notícia dos corais não serve para dar esperança de melhora nesta situação apresentação pela entidade global. Isso porque, segundo o geógrafo, o indicador diz respeito à poluição por plásticos nos oceanos.

“Aumentou a poluição por plásticos e a famosa sobrepesca, que atingia em torno de 60% das espécies e agora já está em 64%. Também aumentou a contaminação de espécies por plástico, que era em torno de mil e agora se aproxima de quatro mil. Observa-se também o aquecimento das correntes marítimas e as espécies buscando águas mais frias. Isso mostra uma dinâmica de sobrevivência que afeta, por exemplo, a dispersão dos cardumes. Essa mudança tem relação direta com a pesca, que é uma importante fonte de proteína para muita gente, não apenas para as comunidades que vivem junto ao mar, mas para todos que consomem pescado e outros animais marinhos”, aponta.

Wagner Ribeiro aponta um impacto para a economia pesqueira. “Basta pensar nas comunidades caiçaras, que vivem da pesca. Há uma situação bastante preocupante: quem possui embarcações de grande porte tende simplesmente a acompanhar o deslocamento dos cardumes. Já as comunidades de baixa renda, que não dispõem desses recursos, são as primeiras afetadas. Isso acaba repercutindo em toda a cadeia de produção do pescado e tende a encarecer os alimentos”, avalia.

Para ouvir e assistir

O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 12h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.





Com Informações: Brasil de Fato

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